
Por pátria tenho o mar, como o corsário,
O meu primeiro pranto de inocência
Abafou-mo das águas a cadência,
Em concerto febril, extraordinário.
Poucos anos me tecem a existência,
Ou antes o tristíssimo sudário,
E já comparo a morte à Providência,
E a vida è erma noite do calvário.
Ainda em pleno Abril, não tenho sonhos
De amor, ou se os possuo, são medonhos
Pesadelos no sono e na vigília.
Ah! Que diga o exilado, o forasteiro,
Se pode ser o riso companheiro
De quem vive tão longe da família!...
Caetano da Costa Alegre (poeta sãotomense)