Mostrar mensagens com a etiqueta Onésimo Silveira (Cabo Verde). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Onésimo Silveira (Cabo Verde). Mostrar todas as mensagens

27.3.11

O povo das Ilhas quer um poema diferente


O povo das Ilhas quer um poema diferente
para o povo das Ilhas:
Um poema com seiva nascendo no coração da ORIGEM
Um poema com batuque e tchabéta e badias de Santa Catarina
Um poema com saracoteio d’ancas e gargalhadas de marfim!
O povo das Ilhas quer um poema diferente
para o povo das Ilhas:
Um poema sem homens que percam a graça do mar
E a fantasia dos pontos cardeais!


Onésimo Silveira
Cabo Verde

9.3.08

As Águas



A chuva regressou pela boca da noite
Da sua grande caminhada

Qual virgem prostituída
Lançou-se desesperada

Nos braços famintos

Das árvores ressequidas!


(Nos braços famintos das árvores

Que eram os braços famintos dos homens...)


Derramou-se sobre as chagas da terra
E pingou das frestas

Do chapéu roto dos desalmados casebres das ilhas
E escorreu do dorso descarnado dos montes!


Desceu pela noite a serenar
A louca, a vagabunda, a pérfida estrela do céu

Ate que ao olhar brando e calmo da manha

Num aceno farto de promessas

Ressurgiu a terra sarada

Ressumando a fartura e a vida!

Nos braços das árvores...
Nos braços dos homens...

Onésimo Silveira (poeta caboverdiano)


21.2.08

Redenção


Vento fótchi na bilá soplá fá…
É noite e chove no fundão!

Tudo funca-funca di Vila
Tudo niguê Santana

Tudo niguê Guadalupe

Tudo niguê Gamboá

Canta e dança o socopé…

Ao romper da manhã

Mesmo ao pé de uma jaqueira

Cada par negro sorrirá ao Sol

Com mãos fartas de ginguba!



Onésimo Silveira (poeta caboverdiano)

8.1.07


Quadro

Lá vem nho Cacai da ourela do mar
Acenando a sua desilusão
De todos os continentes!
Ele traz o peito afogado em maresias
E os olhos cansados da distancia das horas...

Lá vem nho Cacai
Com a boca amarga de sal
A boiar o seu corpo morto
Na calmaria da tarde!

Nho Cacai vem alimentar os seus filhos
Com histórias de sereias...
Com histórias das farturas das Américas...

Os seus filhos acreditam nas Américas
E sabem dormir com fome...


Onésimo Silveira (poeta caboverdioano)