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5.8.11

Fácil


É tão fácil acreditar e desacreditar.
É tão fácil aceitarmos a alegria e
tão difícil aceitarmos a perda,
seja ela qual for.

Sonhamos a liberdade,
até a de pensarmos que
temos liberdade de sonhar e sermos livres.
Mas seremos afinal livres?


Sonhar é fácil.
Como voar…

Voamos na aragem do tempo,
na utopia que tudo permite e
nos oferece o acontecer.

É livre o pensamento,
é livre o amor que povoa os corações,
é livre a música que compõe a melodia,
é livre o mar que de onda em onda nos vem banhar,
é livre o olhar que nas cores do mundo se quer encantar.

Sorrimos à liberdade da Vida.
Desejamos ser pássaro e voar
por entre as nuvens, alcançar o firmamento,
transformando-nos num ponto visível do cosmos,
onde tudo pode acontecer.
Há dois tempos de vida eternos.

Nascemos e morremos
sem querermos.
Esta é a verdadeira
Liberdade do Universo.


Tudo o resto é o que conquistamos
por acréscimo.


Otília Matel

5.7.11

Fragmentos


Na fragrância da música
que sai do teu corpo
e toca o meu,
como cristais de água escorrendo,
na miragem
de um oásis sedento,
em boca ressequida
numa lagoa sem fundo,
o teu beijo quente
evapora cada gota que
se solta no orgasmo da minha pele.

És uma âncora secreta
onde me aninho me deleito me desnudo
em cada fragmento do meu verso.


Otília Matel

5.6.11

Canto das palavras



Do horizonte recebo o sol
que canta ao infinito sua canção de embalar,
na suavidade das ondas que galgam
sob a espuma o imo do mar.

Entre a oscilação estonteante
(de silêncio e capricho teu)
na torrente que serpenteia dois mundos
ouço o canto na orla de todas as palavras.

E a distância traz-me de volta
sussurros de promessas
rumo ao porvir que não será meu.


Otília Matel

4.6.11

Tempo


Houve um tempo
que os meus olhos sorriam
e o meu coração rejubilava
a cada palavra que de ti vinha
e eu acreditava.

Houve um tempo
que a tua voz era cetim
quando o teu amor apregoavas
sussurrando palavras doces
e aos meus ouvidos as murmuravas.

Ah…efémeros tempos!
A ingenuidade de acreditar que só
a mim dirigias o teu escaldante sentir.

Houve um tempo...


Otília Matel

4.5.11

Janelas



Fechei todas as janelas
não deixo entrar a dor
porque na vida
quero mesmo só amor.

Cerrei a última
que minh‘alma permitia.

De lá só sobrevinha escuridão;
meu coração enfraquecia
navegando em marés de
decepção.

Bloqueei sentimentos negativos
palavras destrutivas.

No arco-íris da existência
entro pela porta da esperança.

Ilusões floridas, coração aberto.
Na alegria da Vida,
sorrindo-lhe.


Otília Matel

3.11.09

Sonhos



Sonho-te
que sonhando-me
sonhas-me,
em teus braços,
mil beijos
sussurrados

Sonho-te
e sonhando-me
amo-te
no rasgar da pele
buscando
carícias longas
entregando-me

Sonho-te
no abraço incontido
corpo entregue
vencido
em noites de vendaval

E esse perfume errante
- seiva quente -
dá vida dá alento
mesmo que não passando
de ilusão,
que se desfaz em nada,
tal qual nuvem
em tarde de verão.

Sonho-te
que sonhando-me
sonhas-me...

amando-te...


Otília Matel