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18.4.09

Tempo é de procurar. não de investir



3

tempo é de procurar. não de investir
por tardados caminhos sem parança,
do soletrar apenas do sentir,
do resguardar das mãos em sua ousança.
tempo de naves indo, sem curar
dos riscos que à tomada se prevêm
e recobrar do vento o seu andar
ou impelir os rios que se retêm.
tempo de (retornando à boca) se embeber
do sumo doutra e, exultante,
da cascavel da língua pretender
o golpe mais certeiro ou mais errante.
tempo de embalos, sim, se se quiser
eternizar a alba a cada instante.


Hugo Santos

27.3.09

Primeiro a mão, amor, a mão cativa




1

primeiro a mão, amor, a mão cativa
pela palma indecisa que a retém,
o gozo deste jugo que mais sirva
o gesto inacabado que lhe vem.
o suco, o sumo, o brando deslizar
dos dedos entre os dedos, perguntando
que fio ousar tanger deste tear
do corpo já cedendo, e recusando.
o braço sobre o ombro, o-breve enleio
dum olhar por olhar (e nada ver),
o-brando lume da mão roçando o seio,
o-ceder (não se dando) sem saber.
o-cerrar todo o tempo em seu receio
e ao silêncio ajustar o que vier.


Hugo Santos