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19.11.10

Amor


Meu poema infinito
Tu escreves-me tão bem
esse amor todo nos teus dedos
escrevives-me exactamente
como me sonhei


Tânia Tomé
Moçambique


21.9.10

Neologismo



Nascem sons
Neologismo de vida nova
Melodia vaga
Quase me esmaga a carne
Na mesma veracidade
De amar-te incessantemente

Tânia Tomé
Moçambique



27.8.10

O meu canto

Tu és o meu cisne
A minha última criação
No urgir das asas

És o meu ângulo saliente
No vértice do encontro
Lírio com os sonhos

És o olho angustiado
No que me falta ainda
Por a vida não ser o bastante

És a minha sã loucura
No óbolo beijo
No toque dos dedos

És o meu silêncio
No sussurro lírico
Da minha voz nas palavras

Poesia
És o meu canto

Tânia Tomé
Moçambique



31.7.10

25.6.10

Moçambique


Quando me sento descalça
sobre o sapato do menino pobre
que me enche o pé
muito mais que outro qualquer
me lembro que existir
não é sozinha
é com toda gente.
E me lembro
que tenho de embebedar-me de ti
Moçambique
Porque tenho saudades de mim

Tânia Tomé

22.6.10

Meu Moçambique



Minha África suburbana.
Eu sei-me Moçambique,
cisterna no pecúlio dos deuses.
Um Zambeze inteiro escala a língua
escorre-me pelas pernas
ramifica nos canhoneiros,
laça os peixes inquietos nas sementes
engolfa-se nos mpipis bêbados nas timbilas.
Eu sei-me Moçambique,
no cume das árvores, na sede incontinente
da minha falange, do Rovuma ao Incomati,
no xigubo terrestre dos pés descalços
e em todos os tambores que surdem
das mãos coloridas nos braços em chaga.


Tânia Tomé

2.6.10

(A) Mar(te)




Estou tua
pelo sol
ardendo-me
as montanhas descobertas
Agua dentro
Agua azul
neste ponto de luz
Ardendo em rio
chamado amor


Tânia Tomé

29.5.10

INSPIRaiz

No uivar da noite
o medo,
a incasavel amargura da noite,
no gelo
os sangues inevitaveis da
impoética objetividade

Tânia Tomé




6.5.10

Poema Vivo


Queda-se o corpo neste poema
Uma entrega, entrega-se toda
com um desígnio imenso da semente no núcleo da flor
despindo os versos um a um no centro deste poema

E onde o som nasce, cresce uma palavra devorando lentamente
as metáforas num gesto iniciado de luz e vida
Existe um tortuoso labirinto por entre as sílabas cheio de lustre
por onde brotam os rios e os lábios no mesmo momento de partida

Mas ama-las bem depressa, bem devagarinho deve ser o caminho
E a pontuação se eleva na subtileza dos versos,
da métrica, da rima no âmago do silêncio
E há um desejo insano de desfigurar a branca página,
Com cor do olhar que percorre intenso para o outro lado do espelho
onde o mundo acontece sua estrela bailante

E dentro das palavras há melodia,
dependurando-se sobre as arestas do verso
e dançando os murmúrios constantes do voo das aves

E o poema ganha rosto:
uma arvore cheia de cabelos ao vento como teias da aranha,
onde nos pés das raízes habitam os sarcófagos diversos no húmus da loucura
E onde as mãos de asas são janelas,
por onde as pupilas escancaram o mundo entre os dedos.


Tânia Tomé


28.4.10

Canela e gengibre

Has-de sentir-me assim
canela e gengibre
no mesmo copo
que te embebeda..

Tânia Tomé



3.4.10

Pensameus II


O poder
do agora,
aqui :
vim
estou
aqui
sou
completamente
verso
e
silaba
para um poema urgente


Tânia Tomé

31.3.10

Poeta da noite

Poeta da noite
Quando a semente brota na lua
Intelectualidade na boca do beijo
E sémen no “livre arbítrio” da democracia....

Tânia Tomé



11.3.10

Pensameus



Eu existo-me
onde me existem os dedos
inteiros voadores todos na minha mão,
coexistindo comigo e com a vida lá fora
mais infinita que o inesgotável
Eu existo-me
quando os meus dígitos
escrevem-me tempo a tempo
dentro dos meus versos
as asas que existem
todo o meu canto.
Eu existo-me
dentro deste ruído sonoro
atravessando urgente
todo meu pensamento.

Tânia Tomé

4.3.10

A-mar-me-te



Abril esconde-nos
nas sinuosas curvas
das palavras
E uma falésia desabrocha
na embriagues do meu canto
E turva-se uma linha
no instante
em que estamos
Dentro
um do outro
para sempre


Tânia Tomé

28.2.10

Sonhalto



Procuro-me
no teu sonho
No mais recôndito
de ti
Para encontrar
a asa
Que me alevanta

Tânia Tomé

25.2.10

Saudade



Acordei no desespero de te ter
te embalar no compasso do vento
como se fosses um menino
que adormece descalço para renascer
no utópico que existe
quando amar é possivel
Acordei de estômago vazio
esperando que do meu estado mórfico
resulte a sede que me vai nos ossos


Tânia Tomé
Moçambique

18.9.09

Sonho

Eu tenho um sonho,
e dentro dele milhares
de sonhos possiveis...
em que acredito,
quase sempre
na plenitude
como na forma
em que respiro.

Tânia Tomé