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19.6.11

Nas mãos sinto a luz



Nas mãos sinto a luz, a êxul luz
que vem das paliçadas da mansão,
a luz azul em clarificada zona então
aproxima de mim o seu facho de horizonte.

E logo eu a lembrar o querido monte
em que pousada estava sobracente a ramaria,
e logo eu então a pedir à maresia
que nos brilhos unos do futuro aproximasse

esse rumor de aves onde os raios enfeitasse
e eu oco no caminho que me guia
contivesse as minhas mágoas do passado,

e surgisse ali a minha alma em fogo-fátuo
estivesse eu em toda a dimensão do brusco
a nascer das folhas com a boca em luz arado.


Alexandre Vargas

19.4.11

Ma Blonde



Ouve, vagueio num espaço de luz cercado dum silêncio.
é um silêncio e não o teu... vejo claramente olhando, as mesas
o meu perfil que se volta docemente e não és tu,
em que braços te suspendes e flutuas os teus lábios
rigorosos de planície quando voas?..

Olha, fixa e furtivamente olha superiormente,
ó Cyborg que enorme já te ergues no teu luto,
a boca entreaberta como um ovo que é olhado
na doce e fresca idade que em breve nos espera
entoa já o canto dos fantasmas que dão fruto.


Alexandre Vargas

16.3.11

Exílio



É noite e Cyborg dorme o seu sono de morte,
os dois acordes do som, na noite repetem:«Cyb-org,
Cyb-org) Cyb-org) Cyb-org...» e os autómatos crescem
na sombra funérea e ígnea dos luzes horizontes,
alguns ainda acendem os seus fachos claridade
para o descair ligeiro das placas violeta.

Irrompeu a cidade com um tremer de fumo de miragem
e toda se inflamou na sua tristeza sem igual,
com a cor do cimento, do ,branco e das vigas sobre o mar
aqui se implantou, aqui para sempre a luz paragem.
E nunca nenhum deus a jamais tentou vencer
e ninguém sem respeito para ela pode olhar.

É noite agora, o palácio adormecido onde de lado eu estaria
no estar sem espera, fecham as janelas e as grades
dos muros ainda porventura sem lembrança,
mas anoitece ainda a minha infância e sem correr,
eu, fantasma do que fui, procuro estar
na morte tão etérea de uma ave de metal.


Alexandre Vargas

17.2.11

Espectros que vêm das estrelas



Na noite vidro, um brilho de fósforo: azul.
Ouvi dizer que as estrelas são as moradas dos mortos,
irradiam assim alguma possibilidade?..
De qualquer modo saem dos nichos os algozes
que nos torturarão ao longo de uma vida inteira...
«Como te chamas ?», pergunta-se para haver resposta.
Descem com os grandes farricocos de Lua esgazeada,
sem O. V. N. I. de seda que lá nos possam flutuar
e vogam só as capas de morcego sobre os olhos.
Sigo-os eu até às suas pernas clandestinas,
dançam já e cortam-me a cabeça-
para quê voar dêem-me aquele pouco de loucura
de ser mais um zombie por aquj,
pois a minha vida é apenas «for the moment»
e todo o meu destino-1800
é navegar de cartola e bengala na mão de ferro
com castão lunar na gravidade destes sonhos.
Penso, penso em ti, como é o teu nome de cabelos?
Como procuras a tua morada sob as pontes
ou espreitas nas chaminés da grande fábrica
que se ergue no teu castelo de colina?
Mas danças, mas não ris, eu pelo meu lado
já vendi a minha alma a Belzebu,
e as crateras dos teus olhos são tão belas...
muito mais do que um olhar se espelha nelas,
os espectros que assim descem das estrelas
lá os vejo a bailar, a afeição
que um dia a mim também me deu a mão...


Alexandre Vargas

2.1.11

Era um dia de outono nevoeiro...



Era um dia de outono nevoeiro,
eu caminhava ao longo de uma costa
por mar batida, num carreiro,
depois de fazer parar a mala-posta.

Um pouco afastadas da falésia
algumas árvores meditavam ao ar livre,
aproximei-me: logo ali, sob uma delas,
encontrei a folha que faltava no meu livro.

Tratava-se de um volume de epístolas
arrumadas entre cartas de jogar,
cerrado ao peito como uma pistola
ás de copas recolhi para disparar.

A noite ia passar naquelas bandas,
já lobrigara estalagem o cocheiro
marcara quarto simples na “Old England”
de cuja ceia rescendia sóbrio cheiro.

Depois da janta adormeci sobre a lareira
de “whiskey” e charutos carta ao fogo,
logo para a mesa estalajadeira,
refeito, me conduziu a novo jogo.

O cocheiro dormia agora a sono solto
bebidas “pints” outro ás ganhava belo
sonhei que partia para o monte
a câmara rubra levou ela contarelo:

“Arcelo, Arcelo,
deita o teu cabelo
cá abaixo de repente,
quero subir imediatamente!”

Era uma narrativa popular
que subia, à torre subia e subia
o tempo a desenrolar-
-me a estalajadeira e o fâmulo na via.


Alexandre Vargas