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1.2.11

Enleios



Que direi de enleios,
galanteios ternos
prematuro voo
da miragem tonta?

Onde estão represos
os murmúrios de água
deslizando lenta
no dossel dos montes?

Já não sinto as aves
nem sequer as penas
adejando soltas.

Quanto às águas sei
ir morrer de sede
mesmo vendo as fontes.


Edgar Carneiro

7.1.11

A Luz Sorveu a Treva


A luz sorveu a treva
e digere o meu dano.
Agora sou feliz
ao ver com outros olhos
romper-se o véu da noite
sentido ao despertar
o grito dos espelhos
e a volúpia das rosas.


Edgar Carneiro

30.10.10

Flores para mortos



Não se comem lírios,
Nem cravos e rosas.
De contrário, os poetas
Não as escolhiam
Para as suas glosas.
Nem as flores seriam,
Agora mais raras,
Cobertura fácil
Para as campas rasas.


Edgar Carneiro

2.6.09

Das cerejas



Das cerejas
eu lembro que eram doces.
Eram rubis de brinco
nas orelhas
e serviam de troca
boca a boca
no entretém guloso
dos namorados.


Edgar Carneiro

1.4.09

O malmequer



Uma a uma cortei
do malmequer
as pétalas macias
não pra saber
se bem ou mal me queres
mas pra sentir nos dedos
a seda do teu corpo.


Edgar Carneiro