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30.6.08


Lembranças propositadas


Sinto ainda o cheiro do
sândalo e lembro o aroma vértil no reinício da
vida e a expectativa de
colheitas abundantes.
Lembro também coisas belas
no seio das famílias
humildes plantadas no solo
timorense.
Lembro o Natal herdado,
o café sempre presente,
o arroz, o milho, o búfalo...
Tudo numa harmonia que
escapava à percepção
porque a ecologia é útil,
não é poesia. É sobretudo expressão de viver!
Lembro ainda o Natal sem prendas,
sem fartura...
Lembro um Natal herdado,
certo, um Natal só com um presépio,
a partilha de uma noite ou um dia,
um Menino e doces,
canções pedindo a companhia dos anjos ou
que se repetisse a magia
de Belém.
É que encanto pode vir
tão só de uma noite de
pobreza cantada que de um
minuto preso à esperança
de dias belos!

Crisódio Marcos (poeta timorense)




9.4.08


Reflexos de Timor


Reflexos da terra há muito deixada
Por tantos e tantos chorada...
Reflexos de um mar sedento de Paz
Corado do sangue de todo o que jaz...
Reflexos de um grito do Monte
Cansado de tanto sofrer...

Reflexos, Reflexos de Timor...

Reflexos de quem clama a Justiça
De um Mundo sem Lei nem Amor!
Reflexos de um Povo que grita
Liberdade, Liberdade, Viva Timor!


Crisódio T. Araújo (poeta timorense)


21.2.08

Poema ancestral


Lembra os dias antigos
Em que cantavas a pureza
Na nudez dos teus passos e gestos
Ou dançavas na inocente vaidade
Ao som dos «babadok».
Relembra as trevas da tua inquietação
E o silêncio das tuas expectativas,
As chuvas, as memórias heróicas,
Os milagres telúricos,
Os fantasmas e os temores.
Tenta lembrar a herança milenar dos teus avós
Traduzida em sabedoria
E verdade de todos.
Recorda a festa das colheitas,
A harmonia dos teus Ritos,
A lição antiga da liberdade,
Filha da natureza.
Recorda a tua fé guerreira,
A lealdade,
E a ternura do teu lar sem limites,
Nos caminhos do inesperado
Ou no improviso da partilha definitiva.
Lembra pela última vez
Que a história da tua ancestralidade
É a história da tua Terra Mãe...


Crisódio Araújo (poeta timorense)