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6.1.11

A ave cativa nas mãos do vento



A ave cativa nas mãos do vento
aquieta-se para poder voar.
São asas luminosas as quietações
e não agindo sobem.

Neste mundo redondo é o caminho do raio
a sentença consciente da sua fulminante respiração.
E não é livre o caminho do raio.


Adelino Ínsua

6.6.09

Se o teu olho é simples, todo o teu corpo será luminoso




Começa por atentar ao que se passa entre a urze e as abelhas
à doce árvore entre a terra e o céu.
Sobe às alturas das pedras nuas,
estão difíceis estes modernos tempos para a contemplação,
na rarefacção dos lugares teofânicos.
Toma nos lugares mais baixos a beleza
de uma azeitona no silêncio do meio-dia estival.
Contemplações insignificantes
contemplações mais magnificentes.
Depois deves numerá-las: a cerimónia.
Para que germinem no teu vaso de ouro
e sobre elas desça o orvalho e o perfume dos cedros.


Adelino Ínsua