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27.12.10

Chorei os homens


Chorei os homens,
mas nenhum, as minhas lágrimas viu,
nenhum as viu correr dentro de mim,
chorei os homens,
com lágrimas já tão cansadas, esperei...enfim...,
que algum as visse e as pudesse secar,
que algum as pudesse ouvir,
ouvir somente dizer que foi por amor,
que chorei lágrimas doídas

Sónia Sultuane
Moçambique

12.12.10

O que importa se te vais



O que importa se te vais,
se ficaras sempre dentro de mim,
o que importa se este oceano que é a vida seja longo,
se mais longo consegue ser o meu amor por ti,
o que importa se esse oceano um dia te tenha roubado,
se um dia uma gota em mim tenha deixado,
a minha sede tenha matado,
bebi algo puro e belo,
que importa se esse oceano me haja abandonado,
e a minha gota houvesse levado,
mas se esse gosto em mim tenha ficado cravado.


Sónia Sultuane
Moçambique

27.8.10

Africana


dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque não falo changana,
porque não uso missiri nem missangas,
deixa-me rir...
mas quem é que te disse?!
Só porque ando de "Levis, Gucci ou Diesel",
não o sou... será?
Será que o meu sentir passa pela indumentária?
Ou que o serei
pelo sangue que me corre nas veias,
negro, árabe, indiano,
essa mistura exótica,
que me faz filha de um continente em tantos
onde todos se misturam,
e que me trazem essa profundidade,
mais forte que a indumentária ou a fala,
e sabes porquê?
Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África,
afinal o que tu saberás? O que tu sabes?
Deixa-me rir...
deixa-me rir...

Sónia Sultuane
Moçambique

30.7.10

Beijo negro


Beija-me profundamente com o teu gosto,
dá-me o teu gosto,
faz-me renascer,
para que no meu despertar sinta a fresca melodia dos pássaros
e a brisa me traga esse incenso
místico... terra...
que os rios e os mares quentes, me lavem a consciência
e me aqueçam a alma,
o meu dia seja uma caça felina... a minha presa... a vida...
o mergulhar no entardecer da esperança ardente,
e esses tambores ao anoitecer, me embalem em sons embriagantes,
o fogo dos corpos mais forte que as chamas das fogueiras,
os gestos dos corpos suados,
uma dança feiticeira de beijo negro,
a minha entrega inteira,
beija-me profundamente com esse gosto,
porque só tu me beijas assim.


Sónia Sultuane

21.5.10

Nogat


Nessa noite quente suada de sabor a África,
corri-te docemente, encontrei em ti o gosto de amendoim,
adocicado em açúcar,
«Nogat»
o sabor de criança inocente à porta da escola,
lembras-te?
deixavas-me trincar o teu doce,
e a cada mordidela
sentia os teus lábios de mansinho,
como podia esquecer-me desse sabor,
a torrado, de cor de canela,
cor desses teus lábios adocicados,
onde hoje trinco e mordo
à procura desse néctar
com o mesmo gosto a «Nogat»
da nossa adolescência!

Sónia Sultuane

2.4.10

Africana


Dizes que me querias sentir africana,
dizes e pensas que não o sou,
só porque não uso capulana,
porque não falo changana.
porque não usi missiri nem missangas,
deixa-me rir...
mas quem é que te disse?!
Só porque ando de «Levis, Gucci ou Diesel«,
não o sou... será?
Será que o meu sentir passa pela indumentária?
Ou que o serei
pelo sangue que me corre nas veias,
negro, árabe, indiano,
essa mistura exótica,
que me faz filha de um continmente em tantos
onde todos se misturam,
e que me trazem esta profundidade,
mais forte que a indumentária ou a fala,
e sabes porquê?
Porque visto, falo, respiro, sinto e cheiro a África,
afinal o que é que tu saberás? O que é que tu sabes?
Deixa-me rir...
deixa-me rir...

Sónia Sultuane

27.7.09

Chorei os homens





Chorei os homens,
mas nenhum, as minhas lágrimas viu,
nenhum as viu correr dentro de mim,
chorei os homens,
com lágrimas já tão cansadas, esperei...enfim...,
que algum as vi-se e as pudesse secar,
que algum as pudesse ouvir,
ouvir somente dizer que foi por amor,
que chorei lágrimas doídas.


Sónia Sultuane
Moçambique

25.1.09

Voltar a tocar-te,




Voltar a tocar-te,
será sentir-me viva, completa,
tornar a encontrar-me e a perder-me,
neste desejo que dói,
voltar a tocar-te será tocar-me profundamente,
perder-me e novamente encontrar-me.


Sónia Sultuane
Moçambique

9.1.09

Sangue meu



Sangue meu, meu sangue, ferve, ebule,
o meu corpo arrepiado, o meu ventre contorna-se,
o suor corre suavemente,
a minha boca seca,
as palavras, essas, perdem-se pelo espaço,
esse torna-se tão pequeno,
não consigo respirar,
o corpo está pregado,
não sei saber qual o passo a seguir,
não posso mais,
o pensamento pasmo e susto,
o desejo grande, profundo,
a vontade de chorar, a vontade de fugir,
de não repartir o mesmo espaço,
essa química de todos os sentidos,
fundidas em desespero completo,
perdi-me...


Sónia Sultuane
Moçambique

29.12.08

Esses momentos já não chegam




Esses momentos já não chegam,
já não completam,
anseio o teu corpo, e ser para os teus lábios,
anseio a tua voz, o teu cheiro,
como se no vazio ficasse uma dor,
já não sei!
tento fugir a esse sentimento,
porque lembro-me que há um tempo atrás,
senti o mesmo e sofri,
diz-em tu porque me fazes sentir assim!
diz-me tu!

Sónia Sultuane


24.8.08

Já tão cansada desta vida




Já tão cansada desta vida pergunto-me como será a outra?
mais tranquila, mais segura?
dormente a minha parece estar,
olho a volta onde estou?
que mundo será este?
se não tivesse vivido o que vivi e o que sofri,
quem seria eu?
onde iria buscar toda esta vontade de correr,
os meus dedos que querem escrever, e tanto,
sou louca ou infantil?
ou por momentos deixo correr o meu pensamento,
e mostro ao mundo, o que me consome aos poucos,
a muitos aflige aos que dizem ser eu criança, insegura, imatura!
o que tanto escrevo?
deprimo-me,
deixem-me ...
deixem-me viver no meu mundo,
tornar falas todas as palavras ,
deixem-me no meu mundo doce e infantil, mas meu.


Sónia Sultuane
Moçambique

17.8.08

Tenho as entranhas em dor





Tenho as entranhas em dor,
a alma oprimida, dilacerada,
o pensamento em quase tudo perdido,
como estou?
será que estou?
estranho!
As entranhas convulsam,
na dor que tenho, essa onde será mesmo que está?
onde será mesmo que dói?
o pensamento longe, o coração a simular-se, desligado de mim,
a alma quer partir,
quer alcançar algo,
só ela é que sabe bem o quê e o porquê,
chamo-a mas ela é mais forte, quer partir,
ao encontro de algo perdido,
páro o pensamento, mas já o tenho bem longe,
estranho...
será que volta?


Sónia Sultuane
Moçambique

10.8.08

A fome que te tenho, descontrolada,



A fome que te tenho, descontrolada,
de te ter, o de te possuir,
o meu corpo, fogo... ardendo, queimando,
torna-se num imenso doloroso, num profundo,
os meus olhos vagueiam, olho-te,
o meu pensamento voa,
os lábios incham, a face dói,
a língua esculpida na tua, toca-te, engole-te,
o meu corpo procura-te para o arrepiar,
do sangue fervendo,
esta fome insaciável,
o leve,
o leve deste papel onde agora te sinto
sem o peso que é isso.

Sangue meu, meu sangue, ferve, ebule,
o meu corpo arrepiado, o meu ventre contorna-se,
o suor corre suavemente,
a minha boca seca,
as palavras, essas, perdem-se pelo espaço,
esse torna-se tão pequeno,
não consigo respirar,
o corpo esta pregado,
não sei saber qual o passo a seguir,
não posso mais,
o pensamento pasmo e susto,
o desejo grande, profundo,
a vontade de chorar, a vontade de fugir,
de não repartir o mesmo espaço,
essa química de todos os sentidos,
fundidas em desespero completo,
perdi-me...


Sónia Sultuane
Moçambique

3.8.08

Como queria ser aquela que não fui!


Como queria ser aquela que não fui!
a de meus sonhos, pura, vencedora,
e que a beleza ainda a ostenta,
não esta permanente convalescente,
aquela que sonha e espera,
o encantado, o palácio fantasiado,
e não esta que tem o encanto quebrado como, cacos,
como queria ser a outra dos meus sonhos,
alegre, misteriosamente bela,
e não a que vagueia lentamente e triste,
mas que vive,
e a beleza que a arde tão dentro,
como queria ser a outra,
a dos meus sonhos mais viva ternamente.

Esses momentos já não chegam,
já não completam,
anseio o teu corpo, e ser para teus lábios,
anseio a tua voz, o teu cheiro,
como se no vazio ficasse uma dor,
já não sei!
tento fugir a esse sentimento,
porque lembro-me que há um tempo atrás,
senti o mesmo e sofri,
diz-me tu porque me fazes sentir assim!
diz-me tu!


Sónia Sultuane
Moçambique

9.7.08

Sonho quebrado



Sonho quebrado ainda em menina,
pesadelo vivido já em adolescente,
fantasia presente em mulher,
estes todos estados vividos numa só vida,
o sonho quebrou,
o castelo em vidro desabou,
tantos estilhaços cravados em meu corpo,
como foi possível?
meu corpo deformado, meu rosto desfigurado,
restou minha alma,
meus sonhos de criança, em meu pesadelo e na minha fantasia.

Sónia Sultuane
Moçambique