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1.12.10

É Urgente o Amor



A luz que a chama me prende
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.

Ana Júlia Macedo Sança (Cabo Verde)

23.11.10

Emigrante



O drama começa no momento
em que nasce a ideia de "partir"
Aí param os sonhos
E começam os pesadelos.

Emigrante!

Esta é a alcunha que te deram.
A tragédia que isso acarreta
consome anos de existência
aniquilando lentamente
castelos edificados de ilusões
que dos sonhos ainda restam.

Emigrante!

Fantasia dos que ficam
Am’’ricas
Alemanhas
Franças
e outros mundos sempre iguais...

Emigrante!

Suportar esse título tão honradamente
ter que comer o pão que o diabo amassou
ser sempre forasteiro em porta alheia...

Sim, emigrante!

Emigrante = sobrevivência
Gritos de alma
ambição amordaçada
desejos frustrados...

VITA BREVIS num copo de vinho
Esquecer as amarguras
Da "Terra Prometida"

Ana Júlia Macedo Sança (Cabo Verde)

21.11.10

Só o Amor



Entre o fumo do cigarro
E o sorriso de uma boca
Nasce o luar
Numa seara de espuma

Quem nunca amou
Como sabe porque se ama?
O próprio dia quando acorda de manhã
Trazendo sementes virgens
Transpondo a face da minha alma
Enche de formas e sons envolventes
A cada passo a esperança que renasce.

Fossem minhas, tudo o que eu amo
As palavras sepultadas na minha boca
Na cadência simétrica dos lábios
O gesto parado ...

Ah! sonhos que partiram
Lembranças que ficaram
Esse fogo aprisionado
Sejam mudos, apagados
E apenas eu a pressenti-los.

Ah! fontes desvairadas
Onde o rumor das águas,
É melodia e amor
Trago comigo o cantar diário
O ritmo de quem possui um elixir.

Ah! orgulho que queima
Dói,
Sangra e até corrói,
Quantas serão precisas
Para estrangular essa fúria
Quantas vozes para segurar
conter essa força?!

Só o Amor

Ana Júlia Macedo Sança (Cabo Verde)

Poesia de Agosto



Foi em Agosto que descobri
O sabor das ondas nos teus olhos
O teu corpo húmido de maresia
Espraiando no perfil moreno do sol,
Todo êxtase viril que de ti vinha.
Foi em Agosto que descobri em ti
O azul matizado do céu,
O colorido do poente brincando em mim,
Todo o sonho dos peixes
Fechados nas nossas mãos.
Sonho porque te quero sonhar.
E deixa-me dizer-te, porque senão choro,
Eu sou o espaço...
Uma dadiva...
Vem porque é Agosto
Eu quero cantar-te...

Ana Júlia Macedo Sança (poetisa caboverdiana)

15.11.10

Paris



Numa rua de Paris
Alguém dizia baixinho:
"Lady Ana, chegou a sua vez"
E nas promenades da cidade
Eu via passar o meu tempo
Calmamente
Enquanto seguia de mãos dadas
Com o meu sonho
Via Alexandre O'Neill
passeando uma baguette
debaixo do braço
E Paris eufórica metida
nas suas montras de fantasias
atravessando os boulevards,
O Sena marulhando suas águas turvas
Música e pintura nos parques
Alguém lamenta o choro de Pierrot
exclamando:

"Bonjour tristesse
Tu n'est pas seul
Je suis ta soeur"

Caem gotas dos meus olhos
orvalhando a terra
lembranças virgens do passado
humedecendo meu passado
humedecendo meu semblante parisiense

Ana Júlia Macedo Sança (Cabo Verde)


21.10.10

Definição amor... amar



Amor ternura, amor exaltação
Envolve, domina, entusiasma
Fogueira acesa que se não apaga
E pode terminar numa paixão

Mas para definir o que é amar
Direi que é dar do coração
Dar tudo sem reserva ou opção
Como só com amor se pode dar.

Ana Júlia Macedo Sança (Cabo Verde)