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18.5.11

Primavera do corpo


Movo-me nas nubladas praias
onde a amplitude se renova
num gesto salgado:
as ondas alargam-se
num abraço apaixonado
revelando a embriaguez
da noite que beija
a transparente nudez
da matéria envolta em música.

Era a primavera do corpo
restaurando a claridade
do amor
sem ornamentos de leviandade
ou roupagens de pudor...


Jorge Arrimar
Angola

18.4.11

Descoberta


Por ti desço
à madrugada
e desenraízo o tempo
com o arado
do meu corpo
rasgando o teu...

No percurso da
tua pele
os primeiros raios
de sol
são os meus dedos
descobrindo os segredos


Jorge Arrimar
Angola

19.3.11

Espelho


Atravessámos o mistério suspenso
do brilho mágico do espelho
porque fomos aos lugares proibidos,
ao denso leito de um caudal velho.

Nas paredes envoltas em tédio e solidão
pressagiavas gritos e pavor
porque o eco trazia em vão
a vontade transida do teu amor.


Jorge Arrimar
Angola

18.2.11

Visão


Quero fundar
a promessa
na superfície nua
da palavra
para que os teus ouvidos
conheçam o som
da visão,
a chama sagrada
vertida nos poros
dos teus sentidos...


Jorge Arrimar
Angola

18.1.11

Tua voz



Oiço a tua voz
como se o murmúrio
fosse o ciciar
do hálito morno
de uma criança dormindo.
A embriaguez do sono
cobrindo de seda
a insónia em suspensão
é a doçura da tua voz
nos nublados espaços
em que me deixo perder...


Jorge Arrimar
Angola

18.9.09

Amor


Coloco o teu ventre
na palma da minha
mão,
rosto feminino, seminu,
a aproximação do amor
possuído, do amor enlanguescido
de paixão.

Coloco o teu ventre
na palma da minha
mão,
pele macia ardendo
num templo repleto
de rituais do
coração.


Jorge Arrimar
Angola