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3.1.11

Andam descalços os peixes


Andam descalços os peixes
circulam dentro do seu mar interior
vestidos de brocados
agitando no ar campainhas de oiro.

Não mais haverá teatro
quando os guindastes
descobrirem o seu próprio sexo
de aço.

Atravessem embora os namorados os aquedutos,
sejam ainda cinzentas as nuvens no ventre das águias
navios líquidos se reproduzirão
por toda parte.
E por sobre as tempestades
navegarão
rumo ao porto mais distante
indestrutíveis palavras sem nexo.


Cruzeiro Seixas

13.12.10

Há um mês navegam no espaço


Há um mês navegam no espaço
estes pianos estéreis
pendurados pela cauda uns nos outros
sem remorso
semeando chaves e velhos tecidos de linho
sobre o terreno coberto de cabelos macios
que a electricidade anima.

Os farrapos da cortina tombam
sobre os braços decepados
mas eles voltam como as andorinhas.

Embora as cortinas de fumo persistam
não há qualquer dúvida
mergulham fundo nos números.
De um lado há faróis em Dezembro
e do outro lado
ao fundo da escadaria
há punhais de ouro.


Cruzeiro Seixas