Mostrar mensagens com a etiqueta Margarida Ferra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Margarida Ferra. Mostrar todas as mensagens

7.6.11

Corredor


Se volto cedo
talvez chegue a tempo
do silêncio.
Ou ainda o som dos passos
livres pela rua que desce,
quase cai, livres,
para continuar plana depois.

Antes,
o som metálico das chaves,
as outras e a que abre.
No trinco, e mesmo assim
o silêncio.
Ou ainda a campainha da loja em frente,
quando o vento lhe agita as franjas coloridas,
esse vento ou um mais alto,
na árvore, cortina da sala.

A porta aberta, passagem
demasiado estreita,
metade da casa
é dos outros.
Do meu lado, no fim
do caminho, só o rádio partido
e a luz dos primeiros dias.


Margarida Ferra

7.1.11

Sala da frente



Do sofá ainda tão gasto
entre as duas portas,
agora parecem mais:
todos no chão da sala,
volumes em resma,
tamanhos variáveis,
desalinhados,
no lugar dos tacos regulares,
escondem-nos.

Os livros todos, o chão da sala,
pequenas torres impressas,
legos impossíveis:
os que foram
desconhecidos nesta morada,
as dádivas secretas,
o sítio das palavras que não regressaram.
No canto superior direito,
o índice dos teus dedos,
a tua sombra em tantas páginas.


Margarida Ferra