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12.11.10

A arma do poeta



Eu nunca
Fui soldado
Nunca usei
Farda
Mas usei
A arma do poeta
A arma do verso

Eles disparam
Balas

Eu "disparo"
Versos

Não carrego
No gatilho
Mas empunho
A pena!

Delmar Maia Gonçalves

7.11.10

O poeta



O que resta
Ao poeta
Senão viver
Inconformado
E não vergado
Embora
Em voz silenciada
Ninguém consegur
Calar a voz do verbo.


Delmar Maia Gonçalves

11.10.10

Lisboa Nostra



Lisboa Nostra
Que a espuma leva
No Tejo viajante
Que levas o mar contigo
Vagabundeando
Pela Europa no Tejo dentro.
Ai, Nostra Lisboa
Ai, Mare Nostrum

Delmar Maia Gonçalves

10.9.10

Flor Lunar



Quando abraço
A minha doce e terna
Flor Lunar
Quando oiço a terna voz
Quando olho seus meigos olhos
E mergulho no seu oceânico
Mundo fantasioso
Todas as muralhas
Se diluem no meu coração
E sai de mim
O homem exilado
Esperançado
Num futuro melhor.

Delmar Maia Gonçalves

11.8.10

Conhecer o Mundo




Conhecer o Mundo
Eis o meu Fado!
De nada vale
Remar contra o vento!


Delmar Maia Gonçalves

17.7.10

Pedaço de Areia


Neste exíguo
E labiríntico
Pedaço de areia
Degenero
Mundividências diversas
Que se entrecruzam
E se perdem
No nada.

Delmar Maia Gonçalves


21.6.10

Perguntarei ao Cristo


Perguntarei ao Cristo
Se um dia puder
perguntarei ao “Cristo”
porque o pintam branco
Os homens do norte.
Perguntarei ao “Cristo”
porque será que
sendo judeu, o amam tanto,
odiando os outros judeus.
Perguntarei ao “Cristo”
porque odeiam tanto
O homem negro,
os homens do norte.
Se um dia puder
perguntarei ao “Cristo”
“quando virá”,
para conversarmos e depois lhe dar
as boas noites e dormir, que os homens do norte
Estão surdos.

Delmar Maia Gonçalves

20.4.10

A morte do vale dos perdidos


Na “falecida” taberna
Do Sô Zé
Frequentavam
Bêbados inseguros,
Casados infelizes,
Fumadores inveterados,
Profissionais frustrados,
Prostitutas sedentas de euros,
Solteiros sem auto-estima,
E um cão vadio e solitário.
Lá dentro,
Sentia-se
Um cheiro fedorento
E uma atmosfera única
Qual Vale
Dos Perdidos.
Foi decretada
A sua “Morte”
E eu assisti
Ao seu cortejo fúnebre.

Delmar Maia Gonçalves

1.3.10

Somos um número


Em visita
Sepulcral
Aos entes humanos
Descobri a aberração
Das modernas sociedades
Desumanizantes e civilizadas
Em que vivemos!
Quando morremos
Somos reduzidos a um número.
Perdemos o nome
E a dignidade.
Está tudo planeado!
Até temos com
Quem partilhar a cova…
Uma espécie de vala comum!!!
Afinal, estamos mortos não é?
E não valemos nada
Nem sequer um nome.
Somos apenas mais um número
Que não somos
Nem fomos!

Delmar Maia Gonçalves

28.2.10

E Eu sou Eu



Aqui estou eu
Mestiço de negro e branco
Severo e brando
Obstinado e ocioso
Modesto e orgulhoso
Obsessivo e sereno
Manso e prudente
Agradável e egocêntrico
Talvez a lei dos contrários
Impere em mim
Ou talvez haja apenas
Uma simbiose de antíteses
O que faz de mim indivíduo
Pois é…
Eu sou eu.

Delmar Maia Gonçalves

26.2.10

A universalidade do crente


Sou Cristão
Vou a Roma ou a Belém
Vou à Igreja
Ajoelho-me e oro
Leio a Bíblia Sagrada
Invoco Jesus Cristo
Rezo a Deus
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou Muçulmano
Vou à Meca ou Medina
Vou à Mesquita
Leio o Alcorão
Oro
Invoco Muahmmad
Rezo a Allah
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou Judeu
Vou à Telavive ou Jerusalém
Vou à Sinagoga
Leio o Torá
Oro
Faço a Tahanum
Invoco David e Salomão
Rezo a Adona
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou Hindu
Vou à Benares ou ao Ganges
Vou ao Templo
Leio o Gita
Medito e oro
Purifico-me
Invoco Krishna
Rezo a Om e Brahma
Cumpro o meu dever
Retorno.

Sou homem global
Crente de deus
E estou
Em sua busca.

Delmar Maia Gonçalves

31.1.10

Teu corpo


Teu corpo
é como um
rio sem margens!
Por isso
o percorrerei
sem tréguas
infinitamente!
E então,
seremos um!


Delmar Maia Gonçalves