Os beijos-de-mulata
não têm perfume
Apenas
a limpidez do seu desejo
branco
Ou
uma concêntrica fúria
acesa de tacula-roxo-carmesim
além de ser
a melhor droga contra o câncer.
Pra que perfume...?
Onde elas crescem
morrem as outras plantas...
"A poesia é o eco da melodia do universo no coração dos humanos." Rabindranath Tagore

... Os pássaros voarão
E o mundo encher-se-á de suas penas
Calados nos ouviremos segredando
Fazendo do horizonte uma linha longa,
Tu tremerás receosa do infinito
Mas eu estarei junto de ti...
E será doce ou triste aquele poente...?
Porém tu me dirás sorrindo:
— Que importa? São tuas as linhas desta mão...
Arnaldo Santos (poeta angolano)
no jingololo da rua
Eles vão negros
e levam o sol no peito
Monanbambééé...! Monangambééé...!
Passam esquinas de cimento
passam largas avenidas
E ferem-se berros e silvos
Golpeia neles o vento
Monangambééé...! Monangambééé...!
Levam nos rostos firmeza
jimbamba de sonho e terra
Vão de frente para os gritos
Vão-lhes sentindo a dureza
Monangambééé...! Monangambééé...!
Deixam rastos nas estradas
(já é horizonte o seu manto)
pistas reencontradas
e punhos cerrados de espanto
Monangambééé...! Monangambééé...!
Passam os que servem a vida
com a força do seu suor
Ficam nas ruas os desígnios
que dos seus passos nasceram
Monangambééé...! Monangambééé...!