
Hoje, para morrer, era preciso
que a música viesse. E nos beijasse
as pálpebras por dentro. E um sorriso
desceria da água à nossa face.
Tudo seria finalmente liso
como um rio que nunca mais passasse.
Tudo seria tudo. Sem mesmo ser preciso
um relógio qualquer que nos guardasse
o grande amor que então percorreria
o corpo. Chamar-lhe-iam gravidade,
ou peso, ou nada, ou, simplesmente, fria
inércia, fim. Mas quem respira sabe-
-lhe a fundo o nome. De raiz diria:
amor irresistível. Terra. Ou nave.
Fernando Echevarria (poeta timorense)