
e vem talvez cega ou tenebrosa
mas encontra a nascente mensageira.
Sobe agora
onde a sua sombra cintilante
abriga o lúcido repouso.
*
Algum anjo
terá chegado ao silêncio da terra
e estará ditando as suas sílabas translúcidas
ao imenso extravio
à memória do inaudito
Ó murmúrio de fábula
sobre o olvido sobre a solidão das árvores
tu és o balbucio do inanimado
e a tua frescura vegetal rutila.
*
Sobre as claras toalhas do tempo
a figura pressentida do insignificante.
Ela ilumina a medida do ar com um subtil silêncio
Murmúrio
mas também vaga afluência
neste lugar permanentemente errante.
Ouve-se respirar o que sem nos chamar nos interpela
ou nos reconcilia.
*
e por demais sabemos
quando ela ocupa o espaço interior
seja uma palavra, uma recordação ou o olvido.
Onde está o acorde
ou a abrupta harmonia
que a converta no fulgor de um deslumbramento
António Ramos Rosa