1.8.10

Nas curvas do vento me enlaço



Nas curvas do vento me enlaço
no segredo das ondas me entrelaço
na tormentosa esperança de ouvir
o silêncio das algas
e o mistério da falésia.
Todos os dias me abraço
à loucura deste sonho
e deste laço
que me aperta o coração
na luz macia de Setembro.

Dentro de mim não há ninguém
à beira do rio que me percorre.
Sou poeta dos desejos e das fraquezas
sou lume e enxofre das palavras
que vou parindo
em poemas que ninguém lê.
Sou a exacta distância entre Deus
e as vozes perdidas
o sacrário das mentes que se eclipsam
e dos rios que se suicidam no mar.

Junto ao rio dos teus olhos
há sempre um poema
que tem o sabor da amora
o perfume das palavras sem uso
o som de um violino que chora.

Entre as algas molhadas
E o azul de um abraço
Nasce sempre um poema
No mar do teu regaço.

Sou aquele que ontem dormia
sobre um poema azul
e das asas da ilusão
se desprendia.
Sou aquele que ontem se despia
nos braços do azul poema
que vivia.
Sou aquele que ontem habitava
em silêncio
a canção da harmonia
do poema azul
que acontecia.
Sou aquele que ontem sonhou
em vão
com o poema azul de mais um dia.


Adão Cruz