9.12.10

Por entre os dedos se quedam as palavras



Por entre os dedos se quedam as palavras
que, em vozes de espanto, citavam os Antigos,
como quem interroga estrelas e abismos.
Um saber de dialectos nocturnos,
permite-me riscar nos pulsos um silêncio de fuga.
Escuta: tocam de novo as suas cítaras, para que os aedos
ostentem, em público, os seus deuses

Graça Pires