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22.1.11

Fugir! Furgir...


Fugir! Furgir..., fugir para além do mundo,
do caos, da morte ou do futuro...

Fugir de matar aquele poeta
que fala uma língua diferente da minha
mas que vive a mesma poesia!

Fugir do sangue, da morte, do pavor!...

- Eu ainda quero conhecer
o amor da donzela que desperta...

- Eu ainda quero escrever
o poema que há em mim... e que é belo!

Senhor!
Eu não quero matar... Quero viver!

E cantar os que esqueceste...


Tomaz Kim
Angola

18.12.10

Nocturno para a minha geração



lágrimas roubam a noite...
as cordas e as canções
dos nossos violinos
são de fel e vinagre.

sós! sós em noites de febre,
procuramos o sonho
por nós nunca sonhado,
por nós já esquecido.

assim vivemos a noite,
assim nela morremos:
na solidão das sombras
impalpáveis, serenas...

(o nosso exílio
começou no ovário!)


Tomaz Kim
Angola

18.9.09

Europa a ferros


Sol, pássaros voando, seara madura...
Este, o poema interrompido.

Só os dias a fio que o não são:
Tempo retido
Como água podre no charco;
Gritos e sangue escorrendo
Como linha de formigueiro
No chão encardido,
Amassando
Pontas de cigarro, vómitos, dentes partidos.

Nem dia nem noite:
Apenas a janela entaipada
(Lá fora a promessa das quatro estações),
E a porta que de súbito se abre,
Guinchando como pássaro agoirento.

O resto, como ressaca distante ou búzio,
São as pancadas surdas, sábias, sádicas,
Como tiquetaque de relógio
Marcando não sei que hora...

Ou se a hora!


Tomaz Kim
Angola