Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Viegas (Moçambique). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jorge Viegas (Moçambique). Mostrar todas as mensagens

19.6.08

Do meu país



Do meu País as aves se ausentaram
e com elas se foi a vida, a alegria.
E os poetas, nos versos que cantaram,
foram pássaros de morte e de melancolia.


Jorge Viegas
Moçambique

9.6.08

Círculo de sombra

Ao Rui Knopfli


A minha alma é um círculo de sombra.
Os meus poemas são a pálida mensagem
dum homem melancólico. Se sou poeta,
decerto não o sou do tempo presente.

Escrevo poemas de amor, e os meus poemas
não conduzem os povos à contestação.
Gosto de passear nas ruas a antiga liberdade
que eu sei haver nos poetas que mais amo.

Uma liberdade que não conduz a nada,
uma liberdade que não explica nada.
Leio velhos filósofos de antigamente,

e velhos poetas, mais velhos ainda.
De quando em vez, monólogos em surdina.
A minha alma é um círculo de sombra.


Jorge Viegas
Moçambique

4.5.08

Pretérito Social




Mentes
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.

Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.

Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.

Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.

Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.


Jorge Viegas
Moçambique

22.4.08

Amanhã é longe demais


Fragmentos sensíveis
Andam pelo tempo
Marcando o ritmo
Do voo das aves invisíveis

Doces melancolias
Desfazem-se pelos mistérios dos olhares
A beleza navega pelos sete mares
Diluída no brilho dos sonhos

Sombras de movimentos ancestrais
Dançam a beleza da luz imaculada
Por entre os astros do silêncio
Libertando transparências sentimentais.

Na baía das lendas
Abraçando a leveza dos espíritos
Gotas cristalinas de fontes eternas
Escorrem suavemente sonhadoras

Libertam o agora
Das profundezas do sonho da vida
E a sombra misteriosamente adormecida
Diz-nos que chegou a hora.


Jorge Viegas
Moçambique

4.4.08

Navegando nas Emoções


Ao brilho
do luar
Abrem-se as campânulas de silêncio
E o grito de alegria
Confunde-se com a magia das vagas quentes.

De súbito, o mar irrompe pelos sonhos
Transportando o olhar encantado
Da sereia bronzeada pela imensidão da noite.

Faz-se luz na enseada da vida
Os cânticos românticos
Vagueiam pelos recantos das grutas
Acordando aromas enfeitiçados
Acendem-se fogueiras de mitos
Aquecendo corações perdidos nas falésias do amor
E dança-se à volta da fronteira do desejo.

As estrelas iluminam a sensualidade dos actos
Inspira-se a pureza do universo
E na suavidade da corrente
Viajamos dentro da inocência dos sentidos
Reconstruindo sonhos antigos.


Jorge Viegas
Moçambique

Nirvana


Ser como uma árvore na paisagem,
Existir, existir sem sofrimento.
Buscar na placidez o alimento,
Tornar menos pesada a minha imagem.

Estar, mas num estar que é viagem.
Iluminar o sol, esporear o vento,
deixar adormecer o pensamento,
Não haver marcas da minha passagem.

Esboroar-me na terra humilde e fria
Sem o suor negro da melancolia
A orlar-me a testa, a inundar-me os nervos.

Poeta que não sou, vida que não tive
Permiti que o sono que em mim vive
Se torne o mais humilde dos meus servos.


Jorge Viegas
Moçambique

26.3.08

Antecipadamente escorregadia



Nas sombras
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio

Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais

O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado

Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada

Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão


Jorge Viegas
Moçambique

16.3.08

O Fio da Vida


Recordações,
Electrizantes momentos vividos
No espaço intimo das emoções

Sensações,
Esvoaçantes desejos sentidos
No caminho das ilusões.
Fascínios,
Naturais brilhos íntimos
Que iluminam a melodia da vida.

Propostas,
Para o voo rasante
Do sonho perfumado e musical.

Respostas,
Para a luz embriagante
Da estrada da sombra sensual.

O tempo,
Espaço translúcido viajante
De silêncios inspiradores.

O vento,
Cântico azul navegante
De sentidos arrebatadores.

Impérios,
De gestos puros anunciados
E virgens almas esculpidas.

Mistérios,
Cobertos de perfumes iluminados
E doces sombras adormecidas.


Jorge Viegas
Moçambique

15.3.08

Estrada do Silêncio



Apalpo os
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.


Jorge Viegas
Moçambique

9.3.08

Infinitamente Presente


No voo
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.

O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.

Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.

Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.

No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.


Jorge Viegas
Moçambique

5.3.08

Gratidão


Gratidão
é dádiva de Deus,
Em tudo dai graças, Paulo dizia,
Pela salvação que vem dos céus,
Graças a Ele ainda que tardia.

O agradecer não humilha, edifica
Nossas vidas que o mal persegue
E nos cerca de tudo que não vivifica,
Enobrece o homem que a Deus segue.

Graças pela doença, graças pela saúde.
Por fracassos para que Deus nos ajude
Até a vitoria final e júbilo que abraças.

Sejamos humildes, sejamos gratos
Pelas bênçãos, e também pelos ingratos,
Por insignificâncias, ... Em tudo dai graças.


Jorge Viegas
Moçambique

27.2.08

Amanhã é Longe Demais



Fragmentos
sensíveis
Andam pelo tempo
Marcando o ritmo
Do voo das aves invisíveis

Doces melancolias
Desfazem-se pelos mistérios dos olhares
A beleza navega pelos sete mares
Diluída no brilho dos sonhos

Sombras de movimentos ancestrais
Dançam a beleza da luz imaculada
Por entre os astros do silêncio
Libertando transparências sentimentais.

Na baía das lendas
Abraçando a leveza dos espíritos
Gotas cristalinas de fontes eternas
Escorrem suavemente sonhadoras

Libertam o agora
Das profundezas do sonho da vida
E a sombra misteriosamente adormecida
Diz-nos que chegou a hora.


Jorge Viegas
Moçambique

21.2.08

Tempo Adormecido



Um dia o sonho
Despertou suavemente...

Flores coloridas
Dão um brilho perfumado
Ao voo encantado dos sentidos...

Ondas sonolentas
Salpicam memórias
Pintando quadros iluminados...

Brilhos celestiais
Envolvem sensualidades
Sorvendo carinhos transparentes...

Melodias encantadas
Escorrem delicadamente
Por entre aromas apaixonados...

Abrem-se as janelas do infinito
Absorvemos o esplendor do tempo adormecido
E lentamente descobrimos o amor
Diluído na imensidão dos jardins do universo.


Jorge Viegas
Moçambique

17.2.08

Lenda dos Sonhos



Noite
lenta, eterna, magia dos espíritos...
Apalpo a distância do movimento...
O brilho profundo do luar
Aquece o gesto sentido do amor
E transformo-te na lenda dos sonhos.
As estrelas cantam o brilho sublime
Dentro da ternura do teu olhar
Reflectindo sobre a imensidão do oceano
O calor sensual do teu abraço.
Murmúrios delicioso povoam os céus
Embalando a doçura dos teus beijos
E o arco-íris eleva-se no horizonte
Colorindo as ondas quentes dos teus cabelos
Por onde navegam as verdades dos teus sentimentos.
Os sentidos flutuam pelo aroma verdadeiro
Da simplicidade da tua generosidade
Criando a simbiose dos teus desejos.
Na canção embriagante dos sinos celestiais
Envolvo-me na tua sinceridade
E torno-te eterna dentro do meu peito.


Jorge Viegas
Moçambique

10.2.08

Amando a Lua



O sonho é uma verdade nua
Pintado de rosa
Como a imensidão da prosa.
O sentido encontra as razões
Mais sensíveis e profundas
No emaranhado das emoções
Canções povoam a auréola das estrelas
Sedutoras fontes incandescentes
Içam-se as velas transparentes
Navega-se pelos reflexos inspiradores
Captando aromas da brisa sensual
E descobre-se a linha harmoniosa do poente...
Amando na lua
O vento liberta os gestos
Os sentidos tornam-se modestos
O azul brilha nas palavras
E o coração fala pelo olhar.


Jorge Viegas
Moçambique

1.2.08

Pintando Emoções




Ao
som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Abraças íntimos desejos
E absorves calores adormecidos
Dentro de sonhos distantes.

Flutuam seduções na doce brisa do luar
Invadindo as sombras da humildade.
Desvanecem-se os segredos da noite estrelada
Indefinidamente subtis
Na corrente azulada do interior da felicidade.

Brilhos mágicos seduzem eternas ilusões,
Os sentidos deslizam delicadamente acordados,
Abertamente apaixonados,
Incendiando aveludados mistérios
Plantados nos jardins dos mitos.

Multiplicam-se melodias encantadas,
Recordações sem limites emergentes
Puras verdades inteligentes
No império das virtudes imperceptíveis.

Ao som das doces cascatas
Pintas castelos cintilantes
Dentro de sonhos distantes...


Jorge Viegas
Moçambique

27.1.08

Saudade




Pairam ascendentes seduções
Nas formas cor de purpura
Da mística brisa distante.

Suaves recordações
Invisíveis fontes puras
Acordam na memória viajante.

Saudade,
Aquele calor sensível
Que se esconde no forro íntimo do sentimento

Aquela onda suave
Que refresca os horizontes da verdade

Aquele arrepio simples
Que se estende pelos sentidos da memória

Aquela fita silenciosa
Que se projecta no interior do peito

Aquele ardor nostálgico
Que se instala na serenidade do horizonte

Aquele murmúrio terno
Que ilumina a canção do olhar

Aquela seiva melancólica
Que alimenta os rios intermináveis do corpo

Há muito que não vejo
Aquele olhar radiante
Sorvendo a sensualidade do ar.


Jorge Viegas
Moçambique

Magia



Quando pela manhã se abrem as janelas
E entra a brisa da felicidade, isto é magia.
Quando se cheira uma rosa encantada
E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.
Quando os raios escaldantes do sol
Se transformam em fonte eterna, isto é magia.
Quando se mergulha nas gotas da chuva
E navegamos pela imensidão, isto é magia.
Quando se toca na cores quentes do por do sol
E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.
Quando se vê no reflexo do brilho do luar
Os contornos íntimos da sua beleza,
Se sente o perfume ardente do teu beijo,
O calor penetrante da tua ternura,
A imensidão absorvente do teu carinho,
Isto é AMOR.


Jorge Viegas
Moçambique

15.1.08

Silenciosa Felicidade



Acordam
as sombras floridas
Flutuando alegremente
Pela intensidade do intimo desejo.

Brincam os sentidos
Seguindo o voo colorido das aves
E ouvindo o murmúrio azul dos riachos.

Dançam pensamentos cristalinos
Sobre a suavidade deslizante
Das gotas brilhantes das cascatas.

Vibram comovidos carinhos
Aquecendo ardentes fontes seculares
Da alquimia sensual do beijo.

Resplandecem nuvens de sensibilidade
Espalhando misteriosas ternuras
Pelos perfumes infinitos da felicidade
E no emaranhado das lianas espirituais
Abraçamos majestosos segredos da luz da vida
Criando a magia absorvente do amor.


Jorge Viegas
Moçambique

Sonho Azul




Voando
fechado no tempo,
Encontro momentos há muito perdidos.
Nos vales do paraíso
Infiltro a magia da liberdade
Nas veias da imaginação
E navego pela leveza do esplendor.
Acendo a tocha da reflexão
Embalo os sentimentos nos fluidos do silêncio
E abro a janela da criação

Vem comigo desvendar os mistérios da primavera
Delicadamente sentada no brilho das águas cristalinas,
Vaguear por entre os sons da inocência
E saborear a profundidade da beleza do carinho.
Vem decifrar as doces linhas dos enigmas
Que se escondem na beleza dos murmúrios do vento
E nas cores quentes do por do sol.
Vem percorrer as ondas do magnetismo absorvente
Do brilho dos olhares apaixonados pela sensual motivação
Da união de dois sentimentos.
Vem absorver essas gotas criadoras de sonhos interruptos
Que derrubam montanhas inexploráveis
Criando riachos por onde deslizas delicadamente deitada.
Vem provar o amor.


Jorge Viegas
Moçambique