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5.3.08

Quando era Pequena...


Quando era pequena
ouvi falar numa grande paixão
e quis senti-la.

Depois de crescida,
ao perceber que tudo é fugidio,
ouvindo falar numa paixão,
eu sorria.

Agora,
se me falam num grande amor,
lembro-me de ti.

As minhas saudades são os meus poemas –
- são ervas daninhas os meus poemas...

E já te não amo.
Hoje amo outro,
hei-de talvez amar outros!

São flores de papel os meus amores...

Mas quero amar,
amar para amar melhor,
amar

Para te esquecer ainda.
Foi sempre um soluço o nosso amor.
É preciso que eu aprenda a chorar devagarinho.


Merícia de Lemos
Moçambique

15.1.08

Apenas vestida pelas tuas mãos



Apenas vestida pelas tuas mãos
estou nos teus braços toda nua.
Sôfrego o teu corpo chama pelo meu,
e os poros da tua pele a acariciar-me
são como mil pequenas bocas
que me beijam.

Quando estou completamente tua
fecho os olhos para que não te vejam.
Não quero que eles sintam tanto como eu.

E entre os desejos mais vãos
e as aspirações mais loucas
eu queria que este nosso abraço
em que eu gosto de amar-te
e tu gostas de amar-me
abolisse entre nós até o próprio Espaço
e nada pudesse de mim separar-te.


Merícia de Lemos
Moçambique

Amor




De um amor morto
sepultado no tempo
surge em condenação
duma afeição rara
a beleza do abraço
mais íntimo
mais voraz
mais nu

O arco-íris risca no firmamento
o desafio ao Sol
Brilha o luar mais do que a Lua
Sente-se o perfume duma rosa
e não a rosa
É poesia a silenciosa
distância entre a emoção
e o seu canto

É poema ainda o já poema?
O amor talvez seja o que do nada resta.


Merícia de Lemos
Moçambique

13.1.08

Poema Africano



Em Moçambique, na Beira
para os lados da ponta Gêa
a varanda duma casa, uma rua de areia
jasmins e hibiscos no jardim
aloés nos caminhos

As flores caíam à tardinha
e ficavam dançando ao vento
morrendo como pássaros encarnados
já muito cansados de voar

Nasci, nasci lá.

Mas comecei a andar, parti
e ainda espero a flor azul
que não se encontra nunca.


Merícia de Lemos
Moçambique