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19.1.11

Definições



O silêncio é
Uma árvore branca

Uma árvore é
Uma cabeleira matinal

Uma cabeleira é
Uma fonte suspensa

Uma fonte é
Um vento visível

O vento é
Uma canção de vidro

Uma canção é
Um rio que trespassa

Um rio é
O silêncio que se move

O silêncio é
Árvore branca


João Pedro Mésseder

20.11.10

Se Eu e Tu




Se eu fosse peixe e tu fosses mar
nadava por dentro de ti
e vivia do teu corpo.
Se eu fosse pássaro e tu fosses ar
cortava-te como uma flecha
sem nunca te magoar.
Se eu fosse sol e tu fosses neve
em rio transformava
e havias de ver o mar.
Se eu fosse chuva e tu fosses terra
cresciam de um dia para o outro
as flores na tua pele.
Se eu fosse vento e tu fosses vela
levava-te a ver o mundo
por sobre as ondas do mar.

João Pedro Mésseder

5.4.10

Mar


O mar,
o meu mar.

todo o mar
do mundo
ao meu encontro.

Mar meu,
centro.

Mergulho
no mar.
Entro?

Ou entra
em mim
o mar?


João Pedro Messeder

21.2.10

Rio





As águas vêm de longe,
trazem o mundo,
os montes a terra as pedras
os bichos e o pólen
as folhas e a luz
a chuva o granizo
e a sede dos homens
o rumor das noites e dos dias.
Rio vivo, quase mudo,
cheio de água
cheio de terra
cheio de tudo.

João Pedro Mésseder

1.2.10

Delfos II



A arte
da memória
se compõe

do canto
obstinado
das cigarras

do prumo
branco
das colinas

do fruto
ainda verde
do cipreste


João Pedro Másseder

30.1.10

Tabuada dos Dois

A Tabuada dos Dois.






- Dois vezes um dois.

Carrega-me com os bois.



Dois vezes dois quatro.

Engraxa-me os sapatos.



Dois vezes três seis.

Ganhas uns vinténs.



Dois vezes quatro oito.

Talvez sete ou oito.



Dois vezes cinco dez.

Escova os canapés.



Dois vezes seis doze.

Afinal dou-te onze.



Dois vezes sete catorze.

Nem onze nem doze.



Dois vezes oito dezasseis.

Só te dou é seis.



Dois vezes nove dezoito.

Faço-te num oito.



Dois vezes dez vinte.

Chega de preguiça.



Não sou tua criada.

Só te dou de meu

esta rima errada.



João Pedro Messeder