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9.6.11

Ode à Utopia



Nada sei deconheço e permaneço assim.
Incólume,ausento-me para
outras miragens e todas as ilhas paradisíacas
de semblante nocturno.
Sobrevoo reparo e impaciento-me
a luz acre
doces sóis diferentes de paisagens idílicas
enlaçam-me.
Enternecido contorno atlante
estilete fálico
seduzido pela palmeira erecta do longo manto loiro
deseja-me.
Nada retenho quero e espero assim.
Retiro-me sobrevivo e inquieto
meu bote pardacento
pontifica opaco
a vaga assinalada brava
repõe-me em Amaurotum. (i)
Enobrecido pináculo altivo
gota engrandecida
pela perspectiva acentuada do lírio branco
prende-me.
Restrito arco-íris iluminado
em a ilha
banha os diamantes da praia
rubis, agora
opalas.
Sinto deixo-me chorar e adormeço:

minha nau de proa fenícia
voa e retém-me.
Viajo
todos os recantos são oásis azuis
de tão brancos
e fico
fico por lá!


Paulo Duarte Filipe

22.3.10

O dia


A manhã

A nuvem branca
encobre
o fetiche azulado
teu.
Reprimem carícias
ténues
os dedos loiros do astro
rei.


A tarde

Soturno gesto
insípido partilha heróis
a branco e negro
em a galeria.
Ao fundo
a mais bela tela
suporta
a penumbra húmida.


A noite


desdobro-me em múltiplas sombras
umbrais de portas
aluaradas.
Pretendo
prolongo mais um pouco
o lusco-fusco,mas é a noite da bola
branca.


Paulo Duarte Filipe