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9.7.11

O Verão estala por todos os poros


O Verão estala por todos os poros
da casca das árvores,
da língua dos cães,
das asas das cigarras,
do bico do peito das mulheres
tão acerado
que rasga o céu de calor
com um golpe preciso
de lanceta.

João José Cochofel

30.1.11

Breve



Breve
o botão que foste
e o pudor de sê-lo

Breve
o laço vermelho
dado no cabelo.

Breve
a flor que abriu
e o sol mudou.

Breve
tanto sonho findo
que a vida pisou.


João José Cochofel

9.12.10

Sensibilidade



Que sensibilidade me sobe
da passada adolescência?
Que agudeza dos sentidos
me perturba a consciência?

Surge do desencanto
um mundo a que me abandono.
Tranqüilo e caricioso
como um sol de Outono.

A cor, a luz, as formas,
sinto-as de coração novo!
Em tudo desconheço uma experiência que renovo.

Como quem sai
duma longa doença,
deslumbrado e comovido
pela convalescença.

João José Cochofel

13.7.08


Calmaria


Mar!
o teu cântico verde-azul
insinuou-se-me no sangue,
salgou-me os lábios.
E o corpo inteiro
ressou-me de ecos silenciosos
esmaecidos em bruma;
os sentidos,
temperados de Sol e água,
espreguiçaram-se indolentes de ritmo.
Rara
esta inteireza de espírito,
quando nem o passado deixou resíduos
nem o futuro espreita...

João José Cochofel


26.3.08


Pórtico


Outros serão
os poetas da força e da ousadia.
Para mim
- ficará a delicadeza dos instantes que fogem
a inutilidade das lágrimas que rolam
a alegria sem motivoduma manhã de sol
o encantamento dos tardes mornas
a calma dos beijos longos.

(Um ócio grande. Morre tudo
dum morrer suave e brando...)

Que os outros fiquem com o seu fel
as suas imprecações
o seu sarcasmo.
Para mim
será esta melancolia mansa
que me é dada pela certeza de saber
que a culpa é sempre minha
se as lágrimas correm...


João José Cochofel