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30.5.10

Homo Angolensis




Mastiga a própria desgraça
com ela improvisa uma farra
precisa de uma boa maka
como do ar para respirar
acha o mundo demasiado pequeno
pró seu coração
ri à toa fornica por disciplina
revolucionária
jura que um dia será potência
gosta de funje todos os sábados
e foge do trabalho na segunda
mas fica limão
quando lhe querem abusar

João Melo (Angola)

6.4.09

Lírica XVII



Amada amada
porque suplicaste
que eu lançasse o meu esperma
contra o negro capim?
Avisaste-me é certo
que apenas te poderias dar
quando a lua furtiva se ocultasse
atrás das montanhas
Mas por um instante
imaginei loucamente
que fosse um acesso de romantismo


João Melo (poeta angolano)

17.3.09



Diz que me amas sussurras
imploras exiges
berras
com todas as vísceras
diz diz que
me amas quem sou o que sou
furas-me
o peito
com tuas unhas azuis
quem sou eu nada tudo tua
diz que me amas explodes
porquê porquê
quem és tu de que limbo
surgiste anjo contumaz
de que noite
atávica que flores
são estas
que irrompem de teus dedos
que pavor assoma aos
meus olhos quando
me amas diz
diz que me amas porque
me amas diz dizes xingas
e desfaleces
alegre &
triste pois
eu não tenho respostas prontas
eu apenas
te amo
pronto pronto.

João Melo (poeta angolano)

6.3.09


Caçando gambozinos



Vem caçar gambozinos
jovem d'olhar brilhante
e eterno coração
vem sem nada trazer na mão
e esperes não
que eu t'empreste
meu alçapão
vem
e aprende à tua custa
que a vida não é senão
uma eterna caçada
aos gambozinos
esse animal feito de sonho
e ilusão
e que assim mesmo
vala a pena a perseguição.

João Melo (poeta angolano)


6.2.09


Repouso





(tuas asas silentes levemente pousam
sobre meus olhos
e encobrem meus medos)

lá fora é a rua;
há um grito de cal
estridente como uma buzina
e cabeças passam
esfaqueadas pelo sol

aqui - tuas asas
enormes e vaporosas
apaziguam o clima...

há uma guerra lá fora;
o nosso amor contra a guerra?
- sangue jovem de pé
pelo nosso amor

ah, tuas asas tranquilas me protegem;
deixei de escutar as bombas ...

quando sair, amor
estarei mais forte para a batalha.


João Melo (poeta angolano)

5.2.09

HOMO ANGOLENSIS



Mastiga a própria desgraça
com ela improvisa uma farra
precisa de uma boa maka
como do ar para respirar
acha o mundo demasiado pequeno
pró seu coração
ri à toa fornica por disciplina
revolucionária
jura que um dia será potência
gosta de funje todos os sábados
e foge do trabalho na segunda
mas fica limão
quando lhe querem abusar


João Melo (poeta angolano)

30.6.08


A Lagartixa Frustrada


Um dia
a lagartixa
quis ser dinossauro

Convencida
saltou pra rua
montada em blindados
pra disfarçar a sua insignificância

Tentou mobilizar as formigas
que seguiam
atarefadas
pro trabalho

"Ó pobre e reles lagartixa
condenada
à fria solidão
das paredes enormes e nuas
tu não sabes que os dinossauros
são fósseis
pré-históricos


João Melo (poeta angolano)



16.2.08

Promessa de Amor


Construirei para ti uma casa terrestre,
feita de pão e luz e música,
onde caibas apenas tu
e não haja espaço para os intrusos

E quando, à noite nos amarmos,
como se amaram
o primeiro homem e a primeira mulher,
mandarei que repiquem os tambores

- para que saibam todos que voltaram ao mundo
o primeiro homem e a primeira mulher.


João Melo (poeta angolano)

Esta é a Cidade


é a cidade. Quem caminha
sorvendo seus odores coloridos?

Caleidóscopicos sons
inebriam os músculos
como doces agulhas


João Melo (poeta angolano)

27.1.08


Sol no muceque
Redonda lâmpada acesa
a amarela luz alastrando-se
por sobre o zinco das cubatas
Os fartos cabelos
das mulembeiras
raparigas cartando água
no chafariz
Meninos de barriga inchada
brincando com bola ou
tampas de garrafa


João Melo (poeta angolano)


6.1.08


O Elefante


O enorme elefante
é o animal mais infeliz
da floresta

Todos
até a pulga minúscula
e
asquerosa
lhe trepam no lombo

Homem que engole tudo
é como o pobre elefante:
de nada lhe vale
ser trombudo


João Melo (poeta angolano)