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21.11.10

A crioula



A crioula que meus olhos beijaram a medo
Perdeu-se na confusão de um porto francês
Ela sorria continuamente,
Erguendo no seu riso uma canção extraordinária.
Não foi um romance de amor
Nem mesmo um pequeno segredo entre ambos.
Somente, quando Ela falava ao pé de mim,
Eu sentia um aprazível devaneio
Pela maravilha escultural duma Mulher Perfeita.
Depois,
A Vida separando-nos
A confusão, os ruídos, os braços agitando-se
E o vapor levando para outros mares,
Outros portos,
A graça, o mistério, o perfume e os cantares
Da crioula que meus olhos beijaram a medo
No tombadilho daquele vapor francês.

Luíz Romano (Poeta caboverdiano)

19.11.10

Símbolo



O formato daquele berço foi um símbolo
O menino em miragens impossíveis
dormia sonhando com navios de papel
enquanto eu contemplava
a cismar,
o conjunto daquela harmonia
sumindo-se na linha do mar.

Navio-berço de menino crioulo
navio-guia que ficou sem ir
"navio idêntico ao navio da nossa derrota parada.

Luíz Romano (poeta caboverdiano)