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20.2.11

Poema para uma Saudade


Tudo em mim és tu
Quando a solidão cala-me a voz
E o olhar debruça-se sobre o mistério
Onde o amor e o sonho
Sussurram-me o que tanto sei
Uma intuição de gestos flagra-me os segredos
Anunciando-te no horizonte da saudade
Em vão interroga-me a tarde morna
Enquanto os abraços aconchegam-me em lembranças
E apenas o silêncio responde a minha inquietação
Para além de mim
Onde se cruzam pensamentos e anseios
Volta-se o meu olhar
Como se pronunciasse o teu nome
Cobre-se o céu em vigília
Com o manto negro da noite
Como se também ele aguardasse
O som dos teus passos
Para iluminar todo o meu universo

Fernanda Guimarães
Brasil

28.1.11

A eternidade em que nos pertencemos


Teus beijos ainda despertam em meus lábios
Enquanto o sol escreve a história deste amanhecer
E todas as cores deixam-se colorir no arrebol
A beleza do alvorecer rima em perfeita harmonia
Com a poesia que compuseste em meu olhar
Quando o amor me ofereceu a ti
Rebrilhando o lume da minha entrega
Teu sorriso suspenso ainda acolhe o meu despertar
E me olhas como se desejasses fotografar
Cada gesto com que revelaste o meu corpo
Abrigado em sensações e emoções, pleno de ti
A saudade agora também me presenteia a ti
Enquanto a paisagem do real oculta-se do meu olhar
E nega a tua ausência, recompondo momentos
Volta-se a vida aos lugares que nos presenciaram
Teus olhos pedintes, ressuscitados em mim
A poesia do nosso encontro continua sendo declamada
Rimando os nossos sonhos, aclamando os nossos desejos
Desnudada pelas mais doces e sublimes lembranças
Porque foi na primavera das tuas mãos
Abertas em pétalas de carícias
Que me vicejaste com a fragrância do teu amor
Ainda me é nítido o suspirar do nosso último amanhecer
Quando entregamos todas as palavras ao silêncio
Cúmplices do inconfessável, debruçados em nossa geografia
Estrangeiros de qualquer outro mundo
Encerrados pelos gestos que nos esperavam
Unidos pela eternidade de nos pertencermos...

Fernanda Guimarães
Brasil

23.6.10

Despedida


Parto para encontrar com o esquecer-te
Deixo-te todos os meus sonhos
Para que continues a escrever tua vida
Rasuro as palavras que não te disse
Calo os beijos que tanto te desejaram
Enganei-me, ludibriei-me, falseei-me
O tempo nada decidiu, nem definiu
Não quero mais qualquer porta aberta
E nem o meu caminho a te aguardar
Recolho os meus delírios e quimeras
As confissões tolas que te fiz
Entre sorrisos, disfarçando verdades
Calo-me porque meus lábios e mãos

Não mais te redimem de teus temores
Ou te resgatam de ti mesmo
Em meio as tuas indecisões e escusas
Foste adiando o conjugar do meu amor
No tempo presente que a ti se oferecia
Amor que te pronunciava em meus versos
Declarando anseios e desejos insones
Imaginavas que eram meus poemas
Os silêncios das minhas fantasias
Libertos da asfixia das minhas mãos

A saudade invasora e condescendente
Ainda busca um motivo para permanecer
A memória da ilusão declama teu último poema
E fantasia-me em tuas linhas e letras
Como se eu fosse a que toca tua inspiração
As mãos teimam em acariciar os teus gestos
E as palavras que foram sussurradas
Nos sonhos do meu corpo que te embalava
Quando apenas a lua sabia de mim
E ruborizava, adivinhando intenções

Toco os meus lábios e neles já não sorris
Há um gosto de despedida em meus olhos
No meu lamento nem mesmo a lágrima
Acaricia a solidão do meu rosto
Soluça em minhas mãos o gesto
Que confinaste no cárcere do talvez
Apenas isto e tudo que não houve
Como a me confirmar que sempre foste
Uma irônica possibilidade de felicidade
Paralela do infinito em meu destino.

Fernanda Guimarães
Brasil

23.3.10

De uma Noite


O meu olhar ainda confessa
A ternura que deixas em mim
Quando me ofereces as tuas mãos
E fazes meu, o teu destino
Conduzes-me as paisagens
Que meus passos tanto anseiam
Devolves aos meus abraços
O aconchego dos teus braços
Acolhendo minhas longas esperas
No tempo em que ausente de ti
Apenas fui silêncio e solidão

É que quando vens assim
Deitas o perfume da tua entrega
No horizonte da minha saudade
Teu olhar despe-me em carícias
E meu corpo te sorri consentido
Sussurrando-te afagos e doçuras
É na nudez dos teus olhares
Que se revela a intimidade
De todos os meus desejos

O olhar perdido na distância
Ainda procura a tua voz
Entregue a carícia das tuas palavras
No veludo do silêncio da madrugada
Ouço a melodia da tua falta
E recosto o rosto à solidão do lembrar-te
Há suavidade em cada momento
Na delicadeza da construção do afeto
Na decisão inabalável de ser feliz
Agora que te foste
Deixaste em meus lábios
A saudade que ainda eterna
Uma vez mais te beija...

Fernanda Guimarães
Brasil

22.1.09

Deixa-me amar-te


Deixa-me amar-te em meus silêncios
Na calmaria do teu coração que me acolhe
E de onde se desprendem meus sonhos
Em voos etéreos de plena liberdade
Deixa-me amar-te em minha solidão
Ainda que meus labirintos te confundam
E que teus fios generosos de compreensão
Emaranhem-se no tapete dos meus enigmas
Deixa-me amar-te sem qualquer explicação
Na ternura das tuas mãos que me sorriem
Escrevendo desejos em versos despidos
Na minha alva tez que te cobre e descobre
Deixa-me amar-te em meus segredos
Para que desvendes o que também desconheço
A alma dos meus abismos onde anoiteço
E meus olhos adormecem embalados pelo mistério
Deixa-me amar-te em tuas demoras, longas horas
Em que meu corpo se veste de céu à tua espera
E minhas mãos em frenesim acendem estrelas
Para alumiar-te, ainda que ausente estejas…


Fernanda Guimarães