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22.1.11

Dá-me tua mão


Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela
canção das colheitas.
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem
os frutos,
Antes que os insectos se alimentem das folhas
entreabertas.

Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo
agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.

Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito
amada.


Adalgisa Nery
Brasil

15.1.11

Repouso


Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela canção das colheitas
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas entreabertas.
Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.
Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito amada.


Adalgisa Nery
Brasil

13.5.10

Poema da amante




Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.

Adalgisa Nery
Brasil

14.4.09

Um dia a menina olhou o álbum de retratos


Pela fresta do céu
Desceu um pensamento nos olhos da menina
Que folheava o álbum dos antepassados.
Suas mãos pararam a página com o retrato do homem de croisé
Que não era seu pai nem seu avô.
Era o irmão de leite de seu tio
Que havia se suicidado por amor.
As pupilas da menina passearam na boca do retrato, desgrenharam o penteado,
Passaram na curva da orelha e por baixo do plastron
Ela sentiu o perfume guardado há tanto tempo.
Puxou com os olhos o álbum bem para dentro do seu corpo.
Os seios gritaram em diâmetro, se turgindo,
E ela esfregou, com um movimento de cabeça,
As pontas pesadas da cabeleira em sua nuca.
A menina casou com um homem fora do álbum
Mas seu primeiro filho era igual ao retrato
Do irmão de leite de seu tio
Que havia se suicidado por amor,
E que seus sentidos ressucitaram e guardaram
Para imprimir formas desconhecidas nos presentes
E amar a memória dos ausentes.


Adalgisa Nery
Brasil