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3.9.11

Outras vozes me chegam da cratera


outras vozes me chegam da cratera
de uma flor de uma casa de uma agulha
e murmuram os nomes do verão
e ancoram seus barcos de veludo

outras vozes se vestem de infintio
abertíssiomo chão sem armaduras
vacilantes os pés na orvalhada
semente da maçã à noite ao escuro

outras vozes arriscam outro grito
um turbilhão de aragem delirante
na bárbara visão impossuída

outras vozes se escondem na loriga
com que marte se cobre quando entende
certas vozes da tua mão na minha


Olga Gonçalves

3.6.11

Inteira a flor do mar guarda o teu nome



inteira a flor do mar guarda o teu nome
junto à proa da vaga e do coral
só os dedos das algas o afagam
com a seda e a sede em sua pele

só nos calhaus ondula a hora cheia
troncos parados sobre a terra vasta
fulgem abraços altos soletrados
por um tempo maior de gosto certo

só com tintas da tarde o oceano
te desenha nas praias sem farol
sem falcão sem fragata sem fogueira

só o caule do sol sustenta o dia
quando o sândalo cresce e mancha a brisa
encostada ao vitral que te nomeia


Olga Gonçalves

2.1.11

As manhãs assim puras formuláves


as manhãs assim puras formuláves
por um sopro de amor de outras esferas
as manhãs assim dentro incendiadas
por nomes que da escada fazem guerra

as manhãs assim hora já volátil
junto ao tiro de caça junto ao remo
as manhãs bloqueadas neste lado
pelo trágico limbo do meu gesto

as manhãs assim margens divididas
que me cercam e viram contra o espelho
e depois lentamente me desdobram

as manhãs esticadas na colina
já pressentem a força que tu és
em nocturno e galáxia fabulosa


Olga Gonçalves