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6.1.11

Vai não com mãos de fadas



Vai não com mãos de fadas
a bailar quimeras…
Que outra voz
te anime o leme;
que outra vela
te guarde a saudade.

António Aragão

8.12.10

ah o amável preço da minha fotografia



ah o amável preço da minha fotografia no teu
retrato:
aquele calor da telefonia nascendo no
instante sem ocasião. e o regresso à história
do repouso dos aparelhos ou à demora
apenas
de comprar a cadeira depois de ter dito
aquela palavra no campo
onde crescem mais exactamente os frigoríficos.

quem sabe afinal quando o coração apodrece?

talvez mais exactamente ando o peso
dos passos no nome do rosto.
ou toco docemente
a gasolina no ritual da tua imagem.

olha: este é o interior mais exactamente
da escada no cimo do meu susto.
eis o estilo espantoso de pensar uma espingarda
no lado nu do teu corpo que não escrevo.

quem sabe afinal quando o coração não apodrece?

nós apenas dizemos o cartaz na paragem de deus
e o resto é mais a nossa dificuldade no
retrato enquanto um anjo digo-te
passeia mais exactamente no pêlo do navio.

António Aragão

5.9.10

A Virgem



um avião em teus seios desocupados
um guindaste em tua boca alerta

um passo de arco-íris corre
teu pulso – dá-me teu bilhete
oh como voo te gosto de viajar!
um motor faz entre tuas coxas
hossana! é sangue o côncavo do teu lugar

António Aragão