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30.1.11

Mpungu ia Ndongu


Desliza a história nos gestos virgens
do entardecer

e nos ventres-espaços
rasga o sol a palavra desflorada nas searas
pelos mgumba


Samuel de Sousa
Angola

18.12.10

Cantiga para a Jinga da Maxinde



os olhos de sol
o sorriso de sol
o corpo de sol
percorro-te o corpo de sol
com minhas mãos de água em arco

(rebentaram os diques
e no pomar do itinerário da ave
que interrompeu o voo na seara
imolam-se os lacraus
e com as vísceras imolamos os barcos)

enchi as mãos de gotas de chuva
enchi a boca de selva de mangueiras
enchi os olhos com o silêncio dos teus olhos
eo coração com o teu amor

os moringues estão vazios
os moringues estão vazios

não temos mais marufu
as palmeiras estão secas
na minha armadilha apanhei uma perdiz
uma perdiz
uma perdiz que é para ti
meu amor
uma perdiz que é para o nosso funji

se fores à mulumbila
dá o recado ao dilamba
que me mande missanga
do kussukula

o sol dos teus olhos
o sol do teu sorriso
o sol do teu corpo
gotas de chuva enchendo a terra
fecundando a nossa lavra de milho
enchendo os nossos moringues


Samuel de Sousa
Angola