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8.6.08

Amor de zinco 7



A água desce
cresce
aos poucos levanta
entra
dentro do ventre
entre
as paredes do útero:
outro
dévio da vida,
ainda
desce percorre
corre.
Devagar o óvulo
tolo
engrandece o ventre
adere
ao convívio da célula
que pula
e junto da água
desagua
do ventre outro espaço
possesso,
ouve-se o eclampse
é outra narrativa que se
aborta.


Jorge Matine

7.4.08

As mamanas...


As mamanas
da minha terra
vivem da liberdade
habitam
o subúrbio
que dorme
todo o dia

estas são as mamanas
da minha
terra
igual as tuas
com rugas
do sonho

e de memórias.


Jorge Matine

27.2.08

Quererei alienar


Quererei alienar
Vazar os espaços da língua
Que ainda restam para contar
Sobre abruptas noites
Em que contemplarei e renascência
Dos corpos simétricos
de suor

Catalogarei em vida
Os espectros umbigos
Atravessados de legumes e preços
No estudante partidário do pão
Do pão baleado pelo sinaleiro

Quererei buscar
Na memória
O cidadão híbrido
Do tempo
Que ninguém semeia.


Jorge Matine

20.1.08

Quando elas abrem



Quando elas abrem
Fecho meu instinto
Catalizo a vontade delas
Despindo-me para as satisfazer

E provém
A ausência do sentido
Que o dado tempo
Enche-me de carência

Escapulo
Torno-me um rebelde
Da ocasião que elas legam
Meu prazer adulterado.

Jorge Matine
Moçambique