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28.10.09

Al Berto


Trémulas ao horizonte as mãos procuram-te
em surdina ausculto o ritmo da morte
no musgo dos corpos
o silenciar do crepúsculo

são rosas o que agora sustenho nas mãos
uma infância de espinhos e um jardim de dor
Sílaba a sílaba procuro
no exíguo ardor das palavras
o amor

morto na vigília dos dias percorro o silêncio da
memória
e por todo lado diluem-se sombras
homens em pedaços na ferrugem calcinados

alumiam fervorosamente
o imenso barco da vontade


Francisco Muñoz
Moçambique

20.1.08

A Cidade



O coração solta do tempo a cidade
distancia a estrada azul dos sonhos
como no deserto a vida à roda do sol
magoa o crepitar do vento
e chama e chama o teu nome
esta distância de cidade a cidade
rompe o grito da noite
o pranto da terra nos ossos podres de quem
chama
agoniza o crepúsculo
envolvendo num grito o mar
de cidade a cidade
o asfalto sangrento de quem não pode esperar
mais
o rosto da armada perdido no vento da estrada
distante

Francisco Muñoz
Moçambique