17.6.10

Desejos de Junho



no lento triunfo da noite
estremece o coração poema
amantes sonham-se deuses
desfeitos enlaçados pelo engano
da mísera solidão devotos

no leito os seus corpos de sede
docemente guardam beijos
neles os cetins e os clarões
das tochas crepitam melodias
de alfazema místicos apagados
encurvados no gesto do abraço
êxtase perdido como o sol sem forças

beijos adivinham instintos
angústias de sono nos lábios
tépidos do novo dia

as almas jardins do corpo
unidas à natureza pelas
raízes das águas encontram
a beleza na claridade
do suor nocturno das danças
sagradas inebriantes mornas
no túmulo ébrio
onde o sangue se agita...
nascem rosas
acordam floridos na virgindade
dos seus olhos onde os anjos
servem doces lágrimas

renova-se o mundo
pedaço de tempo
que lhes sobra...


Henrique Levy