Mostrar mensagens com a etiqueta Lopes Morgado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lopes Morgado. Mostrar todas as mensagens

8.3.11

Hoje


Hoje,
Só canto para as Mulheres:

As que passam na rua,
Aquelas que não saírem
Para a rua, as que se encontram
Na cozinha, no escritório,
Ao balcão, na enfermaria,
Na cadeia, no convento,
Na escola, no gabinete,
Na empresa, no sindicato,
No campo, no parlamento,
No lupanar ou na igreja,

Orientando o tráfego dos homens,
Chorando o filho morto pelos homens
Ou o filho feito à força pelos homens,
Lavando a roupa suja dos seus homens
Ou consertando os nervos rebentados,
Pelo silêncio-garra dos seus homens,

Essas Mães inconsoláveis
das Praças todas de Maio,
As mães de inocentes mortos
às ordens de homens-herodes,

As mães fiéis junto às cruzes
Que homens-pilatos ergueram,
Mulheres, Mães, virgens-loucas
De todos os noivos-machos,
Primas, amigas, vizinhas
De casa, de luta e sonho,
De raiva, de crença e vida,
Companheiras, inimigas,
Minhas irmãs, minha Mãe.

São Mulheres? Hoje basta.
É dia oito de Março:
Dia de eu pagar a renda
à Mulher-Mãe desta casa
Para onde há muitos anos
Mudei ao deixar a sua.
Por isso é que eu hoje canto
Só para as Mulheres: na rua
Ou noutro lado qualquer.

Salve, Mulher e Mãe! Amén!
E seja o que Deus quiser.

Lopes Morgado

30.11.10

Dedicatória


Um verso que tu entendas,
Pois é para ti meu verso,
Terá que falar de rendas,
Da roca e fuso, e de terço.

Tem de ter uma paisagem
Que meta rios e montes
E campos verdes e aragem
E flores e muitas fontes.

E, porque gostas de cores,
Um caminho de arco-íris
Para ires quando fores
E, quando quiseres, vires.

Lopes Morgado