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6.1.11

Que luzes menores nesse teu rosto tão baixo


Que luzes menores nesse teu rosto tão baixo
E cabisbaixo.
Que torpor nesse teu corpo
Tão cinzento e tão sujo.
Tens as orelhas caídas de um cão que foi batido.
Não paras de sangrar.
Não te quero aqui entre esta gente farta, entre estes monstros
Visíveis à distância como jóias em fúria.
Mais facilmente te deixaria morrer atrás de qualquer verso
Atrás de uma casa de passe criada só para mim
Atrás das minhas pálpebras pousadas como pássaros
Nos teus ossos tão limpos, tão brancos,
tão enxutos.


Armando Silva Carvalho

7.11.09

Abandono-te todas as noites


Abandono-te todas as noites,
Troco-te pelos outros,
Por mim
Ou pelo simples sono que me enganou
Desde criança.

Deixo-te ficar tantas vezes à luz duma velha lua
De queixo retorcido e rainha das bruxas
E em lugares frequentados por cães que defecam
Com o mudo amor dos donos
Sigilosamente
À trela.

Não devias esperar.
Este amor não é feito de sangue, a minha alma não anda
nessa rua deserta,
Nem vai, pé ante pé, contemplar o teu rosto,
Deitar-se em seguida sobre o teu corpo gelado
E limpar-te os olhos do frio
De uma madrugada Impudica.


Armando Silva Carvalho