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30.1.11

A força de um amor



Não há nada nesta vida
Mais grande que o amor
Se Deus é tão grande
O amor ainda é maior
Maior que o mar e o Céu
Mas, entre todo esse amor
O meu ainda é maior

Amor tão grande
É aquele que é meu
Ele é a chave
Que abre-me o Céu
Amor tão grande
É aquele que me quer
Ai se o perder
A morte já chegou

Ó força de amor
Que me a abriu a minha asa em flor
Deixa-me ir alcançar o Céu
Para ir ver meu Deus
Para lhe pedir a semente
De amor como esse meu
Para dar a toda a gente
Para que todos conheçam o Céu


Eugénio Tavares
Cabo Verde

19.4.08

Imerge o retranzido pensamento


Imerge o retranzido pensamento
Nas noutes mais escuras, mais glaciais,
Prenhes de raios e de vendavais;

Verás que anos de dor, esse momento
Passado, na saudade e no penar
Longe do sol viral do seu olhar.


Eugénio Tavares (poeta caboverdiano)

2.3.08

Canção ao Mar




Oh mar eterno sem fundo sem fim
Oh mar das túrbidas vagas oh! Mar
De ti e das bocas do mundo a mim
Só me vem dores e pragas, oh mar

Que mal te fiz oh mar, oh mar
Que ao ver-me pões-te a arfar, a arfar
Quebrando as ondas tuas
De encontro às rochas nuas

Suspende a zanga um momento e escuta
A voz do meu sofrimento na luta
Que o amor ascende em meu peito desfeito
De tanto amar e penar, oh mar

Que até parece oh mar, oh mar
Um coração a arfar, a arfar
Em ondas pelas fráguas
Quebrando as suas mágoas

Dá-me notícias do meu amor
Que um dia os ventos do céu, oh dor
Os seus abraços furiosos, levaram
Os seus sorrisos invejosos roubaram

Não mais voltou ao lar, ao lar
Não mais o vi, oh mar
Mar fria sepultura
Desta minha alma escura

Roubaste-me a luz querida do amor
E me deixaste sem vida no horror
Oh alma da tempestade amansa
Não me leves a saudade e a esperança

Que esta saudade é quem, é quem
Me ampara tão fiel, fiel
É como a doce mãe
Suavíssima e cruel

Nas mágoas desta aflição que agita
Meu infeliz coração, bendita!
Bendita seja a esperança que ainda
Lá me promete a bonança tão linda


Eugénio Tavares (poeta caboverdiano)

29.1.08

Saudade



O muito amar por teus olhos quebrados
De sofrer; esta cruel adoração
Por ti, que me trespassa o coração
Nas ruas da saudade e dos cuidados;

Estes males da ausência inconsolados
Deram-me a crença da superstição:
E sigo a incerta fé do povo são,
Tendo cartas e sonhos enublados...

E lhes pergunto, às vezes, se és feliz...
Se ainda te animam esperanças calmas...
E me sorrio sempre que sorris.

Porque amarrados ambos numa cruz,
Embora separados, nossas almas
Formam uma só vida, uma só luz.


Eugénio Tavares (poeta caboverdiano)

10.9.07

Dia de chuva



Hoje, que a chuva cai, ramborilando
Nos vidros da janela; e que, estendidas,
Estas várzeas do exílio esconderidas
Verdes relvas as vão alcatifando;

Que o céu, já mais azul; que o ar mais brando
As almas trazem de ilusões vestidas;
Que a esperança engrinalda tantas vidas
Como lírios nos vales rebentando;

Hoje, amor, que a saudade impiedosa
Me traz anuviado o sentimento,
Minha alma triste se ergue dolorosa;

Ferida no rigor da dura sorte
Que lhe nega da paz do lar o alento,
E implora a Deus a paz final da morte.


Eugénio Tavares (poeta caboverdiano)