Mostrar mensagens com a etiqueta Jall Sinth Hussein (Moçambique). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jall Sinth Hussein (Moçambique). Mostrar todas as mensagens

4.1.09

Índico




Pálida e fria como uma estátua grega
a luz do sol me chama e me habita.
No sul sei que o silêncio passa devagar
por isso me perco no vento que me leva lá.
No sul ouço o dia brotar
e não em outro lugar.


Jall Sinth Hussein
Moçambique

4.12.08

BASMA (77)



Não faças que vives
mergulha na capulana
com todas as cores



Jall Sinth Hussein
Moçambique

Sê como o morcego

jallcapa.jpg


Sê como o morcego
vira o mundo ao contrário
não queiras ser cego


Jall Sinth Hussein
Moçambique


3.12.08

Basma (51)




Tu ficaste só
quando tua mãe te deixou
em redor do mundo


Jall Sinth Hussein
Moçambique

2.12.08

BASMA (72)



Ilha de Muipíti
olho de terra no mar
alheio ao seu corpo


Jall Sinth Hussein
Moçambique



17.11.08

Mar



Imenso e plano como um campo raso
em tuas águas se condena sem julgamento
e só te ouves a ti próprio.

O teu orgulho tem o poder de um deus
que perdeu o encanto que não redime já.


Jall Sinth Hussein
Moçambique

15.11.08

As coisas importantes



As coisas importantes só olhas uma vez
mas sua imagem se repete muitas vezes dentro de ti
como um eco.

As coisas importantes que estão dentro de ti
e se repetem constantemente
já não estão presas ao que olhaste atento
mas no silêncio que tens dentro
se libertaram e tornaram incertas.

As coisas importantes no teu dentro
só já a ti pertencem
e nada do que está fora de ti as lembra agora.

As coisas importantes metes numa caixa
que com paciência vais abrindo aos poucos
para esqueceres as muralhas de outro tempo.


Jall Sinth Hussein
Moçambique

5.11.08

Nós os de rosto demorado como o dos velhos


Nós os de rosto demorado como o dos velhos
nós com o peso de um deus amordaçado sobre os ombros
nós que olhamos as coisas e as choramos
e que somos semelhantes a uma promessa perdida
não dobraremos perante a mais pequena pressa.


Jall Sinth Hussein
Moçambique



21.10.08

Ilha de Moçambique 1972



As ruas desertas cheias de vento
como um deus as paredes enormes do forte assistindo a tudo
a areia longa e lisa e a timidez do mar
a língua perdida como ruínas
na mão o cavalo-marinho e os sonhos
o tempo sem chegada e sem partida
assim haveria de ser mais tarde a minha vida


Jall Sinth Hussein
Moçambique

19.10.08

Tangerinas em redor de minha vida




Tangerinas em redor de minha vida:
geografia antiga
os hábitos frescos a infância como um rio
a mão poisada sobre muros sem tocar
breves as horas
e a leveza de cada tarde
nenhuma cicatriz no corpo
nenhuma solenidade.
Tangerinas como uma lenda até ao dia de hoje
- distância que às vezes ignoro.
Liberdade tão sagrada e tão nobre
como um gesto mudo e pobre.
Moçambique e meu bairro pequeno
aquelas coisas que voltam toda a vida
entre anos e deveres.
Tangerinas em redor dos meus lugares.


Jall Sinth Hussein
Moçambique



11.9.08

Basma (9)




Deixa que a memória
Seja o lugar que esqueceste
E vem sem voltar

Jall Sinth Hussein
Moçambique



8.5.08

Moçambique 75 - Praça Mouzinho de Albuquerque


Era um dia solitário e pequeno
dia confidencial e toscamente feito
dia de homenagem nas traseiras

o instante parecia feito para recuar.

Quando homens sem nome
apearam Mouzinho
vi a natureza confusa das coisas
o mundo de pressa e emenda que me levava ignorado.

Eu não – que não estava ali –
mas com uns olhos limpos que podiam ser os meus.


Jall Sinth Hussein
Moçambique

12.4.08

São as coisas e têm alma própria



São as coisas e têm alma própria
e as nomeio pedra água pau casa
e me equilibro e perco em seu centro
mas as trato como pessoas iguais a mim.
Nunca estou só como as crianças
que frente a ninguém estão no meio dos seus amigos.
São as coisas e povoam tudo como pessoas
e como pessoas me cercam e seu coração lhes bate e me chama.
Suas almas atravesso e as trato por tu


Jall Sinth Hussein
Moçambique

7.4.08

BASMA (9)



Deixa que a memória
Seja o lugar que esqueceste
E vem sem voltar

Jall Sinth Hussein
Moçambique


14.3.08

BASMA (33)



Não busques verdade
no que sabes e acreditas
vê antes por fora

Jall Sinth Hussein
Moçambique


9.3.08

BASMA (42)



Olha para tudo
mas ensina o teu olhar
a ver sem os olhos

Jall Sinth Hussein
Moçambique


13.2.08

BASMA (44)



Faz da tua vida
o teu caminho sem ver
o que vem à frente


Jall Sinth Hussein
Moçambique

8.2.08

BASMA (76)


Coração no bolso
para o que der e vier
põe-me a mão no bolso


Jall Sinth Hussein
Moçambique