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8.3.09

Que fazer, Mãe?





Que fazer, Mãe?
das almas tremendamente destruídas
na podridão ignóbil
do sofrimento

Que fazer, Mãe
das totrturas terrivelmente particadas
sobre o corpo negro
do teu filho amado?

Que fazer, Mãe
dos insultos imundos
infamemente perpetrados
no coração d'África sensível?

Que fazer, Mãe
das violações selváticas
horrivelmente suportadas
pelas belas virgens, filhas tuas?

Que fazer, Mãe
de toda a baixeza humana
camuflada no civismo cínico
despejada no seu coração?

Armando Guebuza

28.3.08

Se me perguntares


Se me perguntares
Quem sou eu
Cavada de bexiga de maldade
Com um sorriso sinistro
Nada te direi
Nada te direi
Mostrarte-ei as cicatrizes de séculos
Que sulcam as minhas costas negras
Olhar-te-ei com olhos de ódio
Vermelhos de sangue vertido durante séculos
Mostrar-te-ei minha palhota de capim
A cair sem reparação
Levar-te-ei às plantações
Onde sol a sol
Me encontro dobrado sobre o solo
Enquanto trabalho árduo
Mastiga meu tempo
Levar-te-ei aos campos cheios de gente
Onde gente respira miséria em toda a hora
Nada te direi
Mostrar-te-ei somente isto
E depois
Mostrar-te-ei os corpos do meu Povo
Tombados por metralhadoras traiçoeiras,
Palhotas queimadas por gente tua
Nada te direi
E saberá porque luto.


Armando Guebuza


17.2.08

As tuas dores


As tuas dores
mais as minhas dores
vão estrangular a opressão

Os teus olhos
mais os meus olhos
vão falando da revolta

A tua cicatriz
mais a minha cicatriz
vão lembrando o chicote

As minhas mãos
mais as tuas mãos
vão pegando em armas

A minha força
mais a tua força
vão vencer o imperialismo

O meu sangue
mais o teu sangue
vão regar a vitória.

Armando Guebuza


1.2.08

Mãe África


Oh, Mãe África dos cânticos guerreiros
cantando e dançando a voz de xikuembo

Oh, Mãe África de luas infindas e belas
nas florestas exóticas do congo distante

Oh, Mãe África de rios saltando
as magníficas rochas da vitória

Oh, Mãe África de negros de ébano
correndo e caindo ao som do chigubo

Oh, Mãe África do ti-n’holo mágico
com ossinhos brancos a falarem xindau

Oh, Mãe África de mares azuis e verdes
a bramir de contentes ao som do tambor

Oh, Mãe África ventre de guerreiros
negros e fortes
p’ra vence
brancos cínicos…


Armando Guebuza



Armando Emílio Guebuza nasceu em Nampula em 1943. Foi comissário político da Frelimo durante a luta armada de libertação nacional. Tem o seu nome ligado à «Poesia de Combate».