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7.2.11

Foi com um lápis-lazúli igual aos teus olhos


Foi com um lápis-lazúli igual aos teus olhos
Que escrevi os primeiros hieróglifos
Num templo redondo iluminado de estrelas

Desenhei o voar dos pássaros, barcos e oceanos,
E a musica eterna, companheira nas navegações do peito

Inventei a palavra para dizer amor

Altares a deuses que não simetrizam a pequenez
Dos homens perdidos neste imenso mar de galáxias.

O vento e as vagas, ninados pela força invisível dos átomos,
A terra na sua perpetua circundação flutuante…

Oh! Poetas!...

Festejemos com alegria a chegada dos recém-nascidos
Com vinhos que embelezam os nossos pensamentos leves,

Poesia simples na contemplação deste universo sem fim
Ilha do nosso peito, forte como um mar de beijos.

Enviai cartas de luz em papel fino de arroz as vossas
Mulheres leves; estas borboletas dos nossos dias
Que habitam a nocturna dança dos nossos desejos


Tchalê Figueira
Cabo Verde

10.6.10

Hoje senti saudades dos meus amigos


Hoje senti saudades dos meus amigos
Vivos e mortos…

Dos vivos, na sua solidão do momento, que só a um homem pertence.

Dos mortos, que na sua eterna solidão, deixaram no búzio da minha lembrança, palavras de amizade, sabedoria e conforto.

Meu barco, entre borrascas e inquietações, atravessando o oceano imenso da essência.

Hoje, senti saudades das minhas amantes perdidas, nuvens que atravessaram minha ilha, sabor a canela de um beijo perdido…

Hoje senti saudades, dos meus amigos vivos e mortos, e tu ao meu lado sentado, mais distante do que esta profunda saudade.


Tchalê Figueira
Cabo Verde

27.2.09

Sempre disse



Poesia não é dactilografia
Poesia é sentir a força do cosmos,
Deus (se ele existe) em cada folha, em cada ser,
O voar dos pássaros, os olhos de uma criança.

Casa do peito como um relógio
Batendo, aurora boreal magnética
Natureza em pleno movimento…

Escriturar versos, é enovelar verbos
Pura empolada de palavras
Pluma de asa quebrada
Exercício redigido sem alma.

Observa as estrelas do céu, poeta!
Cada linha de uma folha caída
De uma árvore em Outono,
As pedras deitadas num deserto
Beijadas pelo vento norte, música
Nos teus ouvidos cantando.

Sente a simplicidade complexa das coisas, poeta!...
O grande e o pequeno, deste universo
Infinito…


Tchalê Figueira
Cabo Verde