9.9.10

Ontologia do Amor



Tua carne é a graça tenra dos pomares
e abre-se teu ventre de uma a outra lua;
de teus próprios seios descem dois luares
e desse luar vestida é que ficas nua.

Ânsia de voo em asas de ficar
de ti mesma sou o mar e o fundo.
Praia dos seres, quem te viajar
só naufragando recupera o mundo.

Ritmo de céu, por quem és pergunta
de uma azul resposta que não trazes junta
vitral de carne em catedral infinda.

Ter-te amor é já rezar-te, prece
de um imenso altar onde acontece
quem no próprio corpo é céu ainda.

Vítor Matos e Sá
Moçambique


8.9.10

O poeta chorava...



O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
nelas buscava Uma estrela talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões

E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva

Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com mais requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta
O Poeta
O POETA DESTROI-VOS

Mário Cesariny

7.9.10

Capella Strozzi



Analfabetos, entendiam
sem esforço os bonequinhos
na parede, os episódios
aludidos nas vinhetas,
seus ditados e sinais.
Tudo claro, para eles,
tudo íntimo e solene,
nutritivo como pão.

Nós, letrados, percebemos
só depois de compulsar
o Amador Hagiográfico
ou catálogos de símbolos.
Para nós é tudo vago,
duvidoso. Só as formas
nos consolam, e as cores,
a impostura da beleza.


José Miguel Silva

6.9.10

Auto-Retrato



Nome: Vinicius. Por quê?
O Quo Vadis, saído em 13
Ano em que nasci.

Sobrenome: de Moraes
De Pernambuco, Alagoas
E Baía (que guardo em mim).
Sou carioca da Gávea
Bairro amado, de onde nunca
Deveria ter saído.

Fui, sou e serei casado
E apesar do que se diz
Não me acho tão mau marido.

Filhos: três e um a caminho

Altura: um metro e setenta
Meão, pois. O colarinho
Trinta e nove e o pé quarenta.

Peso: uns bons setenta e três
(precisam ser reduzidos…)

Dizem-me poeta; diplomata
Eu o sou, e por concurso
Jornalista por prazer
Nisso tenho um grande orgulho
Breve serei cineasta
(Activo). Sou materialista.

Deito mais tarde que devo
E acordo antes do que gosto.

Fui auxiliar de cartório
Censor cinematográfico
Funcionário (incompetente)
Do Instituto dos Bancários.

Actualmente sou segundo
Secretario de Embaixada.

Formei-me em Direito, mas
Sem nunca ter feito prática.

Infância: pobre mas linda
Tão linda que mesmo longe
Continua em mim ainda.

Prefiro vitrola a rádio
Automóvel atrem, trem
A navio, navio a avião
(De que já tive um desastre).

Se voltasse a vida atrás
Gostaria de ser médico
Pois sou um médico nato.

Minhas frutas predilectas
Por ordem de preferência:
Caju, manga e abacaxi.

Foi com meu pai, Clodoaldo
de Moraes, poeta inédito
Que aprendi a fazer versos
(Um dia furtei-lhe um
Para dar à namorada).

Tinha dezanove anos
Quando estreei com meu livro
O Caminho para a Distância
Meu preferido é o último:
Poemas, Sonetos e Baladas.

Toco violão, de ouvido
E faço sambas de bossa
Garoto, lutei jiu-jitsu
Razoavelmente. No tiro
Sobretudo em carabina
Sou quase perfeito. As coisas
Que mais detesto: viagens
Gente fiteira, fascistas,
Racistas, homem avarento
Ou grosseiro com mulher.

As coisas que mais gosto:
Mulher, mulher e mulher
(Com prioridade da minha)
Meus filhos e meus amigos.

Ajudo bastante em casa
Pois sou um bom cozinheiro
Moro em Paris, mas não há nada
Como o Rio de Janeiro
Para me fazer feliz
(E infeliz). Desde os 7 anos
Venho fazendo versinhos
Gosto muito de beber
E bebo bem (hoje menos
Do que há dez anos atrás).
Minha bebida é o uísque
Com pouca água e muito gelo.
Gosto também de dançar
E creio ser essa coisa
A que chamam de boémio.

Em Oxford, na Inglaterra
Estudei literatura
Inglesa, que foi
Para mim fundamental.

Gostaria de morrer
De repente, não mais que
De repente, e se possível
De morte bem natural.
E depois disso, ao amigo
João Conde nada mais digo.

Vinicius de Moraes
Brasil

Arre, Burro


Quando a veloz motorizada
lhe demora a pegar
e começa a tossir e a espirrar
o João não faz mais nada,
dá-lhe um grito, um berro, um urro:
«Arre, burro!»
E pela rua fora,
bate-lhe a toda a hora,
com o boné,
como se fosse um chicote.
Por isso a gente que o vê,
inquieta,
supõe que a motocicleta
vai a trote.
E com espanto e desdém
diz que o João não regula bem.


António Manuel Couto Viana

5.9.10

A Virgem



um avião em teus seios desocupados
um guindaste em tua boca alerta

um passo de arco-íris corre
teu pulso – dá-me teu bilhete
oh como voo te gosto de viajar!
um motor faz entre tuas coxas
hossana! é sangue o côncavo do teu lugar

António Aragão

E de novo a armadilha dos abraços.


E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos

Rosa Lobato Faria

4.9.10

Sei tão pouco


Sei tão pouco
dos poemas que te escrevo,
a palavra eriçada,
coberta de cinza na língua
que não sabemos pronunciar.

Sei tão pouco dos teus dedos,
onde se prolonga a pele
sedenta de mais pele,
reduzindo a escombros o sol.

Sei tão pouco dos teus olhos,
lugar de silêncios onde
se guarda a penumbra e
se acertam os passos,
vagarosos conta-gotas do infinito.

Sei tão pouco de mim
que me inundam estas
lágrimas por dentro,
sôfregas, centrífugas,
serpenteando caminhos
rumo ao incêndio.


Alexandra Malheiro

3.9.10

Volúpia


Era já tarde e tu continuavas
entre os meus braços trémulos, cansados...
E eu, sonolenta, já de olhos fechados,
bebia ainda os beijos que me davas!

Passaram horas!… Nossas bocas flavas,
Muito unidas, em haustos repousados,
Queimavam os meus sonhos macerados,
Como rescaldos de candentes lavas.

Veio a manhã e o sol, feroz, risonho,
entrou na minha alcova adormecida,
quebrando o lírio roxo do meu sonho...

Mas deslumbrou-se... e em rúbidos adejos
Ajoelhou-se... e numa luz vencida,
Sorveu…sorveu o mel dos nossos beijos!


Judith Teixeira

Confronto



Bateu Amor à porta da Loucura.
"Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão.
Só tu me limparás da lama escura
a que me conduziu minha paixão."

A Loucura desdenha recebê-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vê-lo,
de humano que era, assim tão inumano.

"E exclama: "Entre correndo, o pouso é teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,
pois não sei de mais triste desatino
que este mal sem perdão, o mal de amar."

Carlos Drummond de Andrade (Brasil)

Aconselho-vos o amor



Aconselho-vos o amor:
o equilíbrio dos contrários.
Aconselho-vos o amor
cheio de força; os moinhos
girando ao vento desbridado.
Aconselho-vos a liberdade
do amor (que logo passa
— vão dizer-vos que não —
para os gestos diários).


Fernando Assis Pacheco

E nas minhas veias


E nas minhas veias
os rios que nasciam
já não tinham margens.

E na minha boca,
outrora tão seca,
cresciam cachos.

E então os meus olhos,
de uma nova cor,
correram atrás
do voo das aves.


Maria Isabel Sampaio

2.9.10

Afrodite


Formosa.
Esses peitos pequenos, cheios.
Esse ventre, o seu redondo espraiado!
O vinco da cinta, o gracioso umbigo, o escorrido
das ancas, o púbis discreto ligeiramente alteado,
as coxas esbeltas, um joelho único suave e agudo,
o coto de um braço, o tronco robusto, a linha
cariciosa do ombro...
Afrodite, não chorei quando te descobri?
Aquele museu plácido, tantas memórias da Grécia
e de Roma!
Tantas figuras graves, de gestos nobres e de
frontes tranquilas, abstractas...
Mas aquela sala vasta, cheia, não era uma necrópole.
Era uma assembleia de amáveis espíritos, divagadores,
ente si trocando serenas, eternas e nunca
desprezadas razões formais.
Afrodite, Afrodite, tão humana e sem tempo...
O descanso desse teu gesto!
A perna que encobre a outra, que aperta o corpo.
A doce oferta desse pomo tentador: peito e ventre.
E um fumo, uma impressão tão subtil e tão
provocante de pudor, de volúpia, de
reserva, de abandono...
Já passaram sobre ti dois mil anos?
Estranha obra de um homem!
Que doçura espalhas e que grandeza...
És o equilíbrio e a harmonia e não és senão corpo.
Não és mística, não exacerbas, não angústias.
Geras o sonho do amor.
Praxíteles.
Como pudeste criar Afrodite?
E não a macerar, delapidar, arruinar, na ânsia de
a vencer, gozar!
Tinha de assim ser.
Eternizaste-a!
A beleza, o desejo, a promessa, a doce carne...


Irene Lisboa

Um lugar no meu coração


1. Choras...
Por vezes até morres,
e afundas em teu fosso de orgulhosa cólera,
até que nada te reste, senão, um instante,
um só, em que amaste sem medo, que te entregaste
sem corpo, sem alma, que foste mulher.

2.Nas noites frias e duras,
o traço forte da loucura irrompe
pela vidraça das tuas janelas,
embaçadas, sujas, e ofusca o brilho
de tudo, e até mesmo o teu, e permaneces
assim, no teu fosso de silêncio, silenciada...

3.E ai, eu também choro,
que amar é partilhar,
E ai, eu também sofro,
que amar é esperar,

4.Sei somente, que um dia,
teus olhos despertarão, coloridos,
e acredite, meu amor, não haverá
uma manhã sequer, que negra
não assuma o teu esplendor,
uma manhã em que não sorrias,
é isto que eu te ofereço:
— Um lugar no meu coração!

Eusébio Sanjane

1.9.10

Luz de Setembro



A luz de Setembro já não besoura
aloura os corpos
mergulham no oceano
espalhando gotas de metal

Vozes chegam no arrastar das ondas
o amarelo ensopa-se de azul

Mergulhemos sem pressa
marcando álacres os passos
o mar apaga
marca as passadas apaga

O sol é pouco
morre vermelho sobre os dedos
das amendoeiras

Sustém a cabeça nas ondas
bebe a luz e os corpos


António Borges Coelho

Nas crateras do beijo e do silêncio


Se te pudesse prender a mim
por um dia,
ganhava a esperança e a tua alma.
Ganhava o tempo
e o mosto do vinho novo crepuscular
das crateras do beijo
perdido em explosões de imponderáveis
desejos.

E morreria contigo!
Morreria no espaço do teu corpo
desejado,
No silêncio da palavra no verbo
no verde da giesta e da urze
no campo de trigo.

Subiria os degraus do altar do teu peito
virgem com sabor ao leite
da vida
que cresce em ti como um lacre
como o testamento do teu corpo
fechado no segredo dum cofre.

O fermento do pão o mosto do vinho novo
as maravilhas da noite
o teu sorriso imenso derramado em mim
como um rio…
Os espasmos, os verdadeiros espasmos
do teu corpo vibrante
em segredo…
Morreria contigo!


Álvaro Giesta

peixe-aranha: patti smith: radio ethiopia


tenho as margaridas do teu vestido de verão; azuis e amarelas
o pêlo de raposa pelos ombros e o chapéu de lã não me enganam
a chuva oblíqua a fugir do outro texto; do texto do outro
"não entres nesse quarto"; a porta sempre fechada.

éramos secos de carnes e tínhamos cortado as mãos.
de rimbaud já só aquela faixa de sombra sobre o lado direito do rosto
a ampola de cloreto etílico pousada no chão de losangos pretos e brancos
o éter aspirado num lenço que se volatilizou como uma ave maligna
"é para a picada de peixe-aranha".

a banheira de esmalte estalada no rebordo
a água fria; os teus gatos que acordavam
o teu vestido de margaridas pousado num banco da casa de banho
e o efeito da ampola como um relampejo letal

a polaroid desse dia já começou a desvanecer-se
e não afoguei ainda a imagem do silêncio
virá comigo com os gestos por fazer
para o fundo do poço de mercúrio


Alexandre Sarrazola

Onan dos outros!



Onan dos outros! Ó deus que dás confiança
Só a quem já confia!
E não à morrente ou garça mão que se ansa
Varonil e vazia.

O Virgem Negra, tal me descobriram
Cincoenta anos depois,
Em minha infusão estou. Tombam, deliram
Em vão quantos seguiram

Minha viagem ao nunca ser dois.
No seu andor de luto e de desgraça
O Virgem Negra passa
Maior que todos os sóis.

Mário Cesariny

31.8.10

Metafísica




Foi em Taipé.
Se bem me lembro, a 3 de Outubro.
Nas árvores o sol crescia devagar.

Entrámos num dos templos da cidade
e era quando os crentes fazem as suas oferendas.
Uma monja revestida de amarelo oficiava
e o fumo dos pivetes enlaçava-se
na música dos sinos e dos címbalos.

Nunca vi em parte nenhuma uma monja tão bela
e os seus gestos oficiando eram belos como ela.
Na música transportava-me não ao céu
mas aos braços da monja erguidos
maduros e redondos para o amor.

Sobre um estrado recebendo as bênçãos
vi comidas que só os chinas sabem oferecer a deuses
e que pelos deuses abençoadas eles retomam, e comem.
Mas sobretudo vi um cacho de bananas
cor de ouro, enormes, sardentas.

Quando saí não pude deixar de comprar bananas,
que logo amorosamente devorei.
E por isso ainda hoje penso na monja de amarelo,
nos gestos que fazia oficiando.

Nunca mais voltarei a Taipé
nem comerei bananas como aquelas.
Que a vida é assim, amigos:
recordar, por exemplo, a beleza de uma monja
e um cacho de bananas
e contentarmo-nos depois com o que temos
onde não temos nada disso.


Pedro da Silveira

Desassossegos



por entre nuvens violáceas
de fim de sábado
levita a lua vadia
despede-se serena a noite
enquanto se estende devagar
o domingo a madrugar

passa das seis da manhã

exasperadas mães de “teenagers”
enroscam-se em tristes lençóis
de corações apertados
mergulham no celeiro das ideias
conjecturam histórias imagináveis

angústias a fervilhar
a substituir os sonhos
a alimentar espíritos ansiosos

há portas que demoram a fazer entrar

porque crescem os filhos?


Filomena Fonseca

No corpo feminino, esse retiro




No corpo feminino, esse retiro
- a doce bunda - é ainda o que prefiro.
A ela, meu mais íntimo suspiro,
pois tanto mais a apalpo quanto a miro.

Que tanto mais a quero, se me firo
em unhas protestantes, e respiro
a brisa dos planetas, no seu giro
lento, violento... Então, se ponho e tiro

a mão em concha - a mão, sábio papiro,
iluminando o gozo, qual lampiro,
ou se, dessedentado, já me estiro.

me penso, me restauro, me confiro,
o sentimento da morte eis que adquiro:
de rola, a bunda torna-se vampiro.

Carlos Drummond de Andrade (Brasil)

Certidão de Óbito


Um tempo de lanças nuas
espera por nós, riso
cruel de maxilas em riste.
Entanto a vida desabrocha
tenra e tépida,
fruto e flor na ânsia secular
de quem tanto esperou em vão.
Para nós, todavia,
o tempo é de lanças impiedosas,
de lâminas em cuja brancura
se adivinha já um indício
do nosso sangue. Deste tempo
sobrou-nos a acerado das lanças:
este o quinhão ácido que nos coube
e que mastigamos resignadamente.

Entanto, num levedar de ternura,
frágil e muito bela, a vida desponta
na negra polpa de outros dedos.
Para nós, o prémio do aço,
a estrela da pólvora, a comenda do fogo.
Para nós a consolação do sorriso triste
e da amargura sabida. Falamo-nos
e nas palavras mais comuns
há rituais de despedida. Falamos
e as palavras que dizemos
dizem adeus.

Rui Knopfli
Moçambique

30.8.10

Ah! A loucura no poeta!


Ah! A loucura no poeta!
Sentimo-la perto
Perto como um rumor.
Crispamos as mãos
Para senti-La
- e nunca para a tocar.

E como se se tratasse
Do mais banal dos gestos À cabeça atiramo-la.


Valentinous Velhinho
Cabo Verde

29.8.10

Poema da infância


Uma tarde
o Tóino
chegou ao largo
com um vidro extraordinário
Segurava-se
Entre o polegar e o indicador,
Virado para o Sol.
E do outro lado
Chispavam as sete cores do arco-íris!
E nós
Em volta,
Esquecidos do jogo do pião…


Manuel da Fonseca

As estrelas não virão esta noite




Dá-me a tua mão mas isso não te contentará eu sei
Obcecada que estás pela chama das estrelas
Eu não te posso consolar então e por mais que tente
E meus dentes e sorrisos rimem com os meus passos
Falta-me qualquer coisa dos grandes homens Bantos
Nem Mbila e nem Mbira toco como poderia então
Estender tapetes de sons para a tua passagem
Ou capulanas em noites de loucura?


Chagas Levene
Moçambique