
Dormimos versos cercados de cal
para onde quer mesmo que nos leve a malha
quando a gente se transforma em cristal
encravado na bota de um canalha.
Ó desventurados da conjuntura
pirilampos sem luz, sem prevenção
retidos na teia cor-de-toga impura
porque a mão vos furtou para a boca o pão!
Encoleirou-se o corvo com o diadema
esquecido pelo ex-compadre burguês:
não houve toga nem sequer algema
e, de súbito, a teia se desfez!
Porém, sem darmos por ela, o fermento
destas lágrimas de terebentina
entrança já tatuagens de alento
para uma teia mais pura e cristalina.
Julius Kazembe
Moçambique
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