10.6.09

Rosa



Rosa em verso, rosa em prosa:
rosa rosa.
Verdadeira, recortada,
sempre votiva é a rosa.
Quem a dá, quem a ostenta,
quem a colhe, quem a inventa,
quem dela - a rosa - se lembra
faz o voto de quebrar
a pessoal solidão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.
Rosa.
Rosa em verso, rosa em prosa:
rosa rosa.
Rosa nome, rosa coisa,
rosa flor, rosa rosa,
rosa traço de união.
Rosa fugaz, recolhida
noutra rosa já nascida.
De rosa em rosa é a vida.
Ó rosa breve fulgor,
lampejo na escuridão.
Se não troco o pão por rosas,
não troco a rosa por pão.

Alexandre O' Neill

8.6.09

Foi um dia de inúteis agonias



Foi um dia de inúteis agonias,
Dia de sol, inundado de sol.
Fulgiam, nuas, as espadas frias.
Dia de sol, inundado de sol.

Foi um dia de falsas alegrias.
Dália a esfolhar-se, o seu mole sorriso.
Voltavam os ranchos das romarias.
Dália a esfolhar-se, o seu mole sorriso.

Dia impressível, mais que os outros dias.
Tão lúcido, tão pálido, tão lúcido!
Difuso de teoremas, de teorias...

O dia fútil, mais que os outros dias!
Minuete de discretas ironias...
Tão lúcido, tão pálido, tão lúcido!


Camilo Pessanha
Clepsidra

6.6.09

Há uma mulher à minha espera


Há uma mulher à minha espera
Num barco de nuvem
De lança de aurora e de núpcias
Metafísica de longínquos cabelos de seda
E um cavalo azul atravessa o céu
De líquidos dedos e sons aromáticos
Por detrás das rosas com bocas de carne
Oh ânsia de um Deus vivo
Oh natureza sensorial respira
E diz palavras para que todos oiçam
Oh carros e máquinas assassinas
Fiquem humanos
Oh homens sejam carros nessas ruas
Metalizai o vosso ego e orgulho
Pelo menos um cão
Nesses Lassos olhos como a noite
Ladre a podridão
Nesses ferros, nessas prisões
Que a inteligência humana pariu
Um rato no esgoto não queira ser homem!


Manuel Feliciano

Silenciário



Um certo rumor de silêncio
cresceu nas ancas das palavras
após a entrega das bocas

escasseiam agora as explicações
na fronte excessiva do poema


João Manuel de Oliveira Ribeiro

Se o teu olho é simples, todo o teu corpo será luminoso




Começa por atentar ao que se passa entre a urze e as abelhas
à doce árvore entre a terra e o céu.
Sobe às alturas das pedras nuas,
estão difíceis estes modernos tempos para a contemplação,
na rarefacção dos lugares teofânicos.
Toma nos lugares mais baixos a beleza
de uma azeitona no silêncio do meio-dia estival.
Contemplações insignificantes
contemplações mais magnificentes.
Depois deves numerá-las: a cerimónia.
Para que germinem no teu vaso de ouro
e sobre elas desça o orvalho e o perfume dos cedros.


Adelino Ínsua

4.6.09

Concerto de “DJUNTA MON”


I


A dor encosta-se a mim
abraça-me forte
espalha-se pelo corpo
em glândulas de fome

Enfermo
declino o convite
para a grande festa da liberdade
Estou no meu tempo
no meu espaço
na minha tabanca
onde festa
não cabe
Grassa o choro
a doença
crianças morrendo
dia a dia
hora a hora!


II


Não…
Não vou a Berlim
ver o muro em pedaços
Viajo sim no olhar desesperado
do menino moçambicano
nicando a raiz seca
que desistiu de crescer
para morrer na boca pequena

Na África-tabanca
morre-se
aos pedaços
e
pedaços que não são saudades
da minha herdade
deixo-os fluir ao vento
até que a história
faça a contrição
do tempo madrasta

III


Mas se amanhã levantarem o cerco
que nos tolhe o sol
prometo
que
levarei os nossos cikós
os nossos tambores
os nossos djidius
e
com os vossos pianos e saxs
dançaremos na voz de Sinatra Pavaroti
Nina Simone e Milles Davies
no cume da estátua da liberdade

O batuque terá o sabor
das pedras ontem feitas muro
e de cada pedaço da vergonha caída
nascerá um tambor para o concerto
de djunta-mon!

Tony Tcheca (poeta guineense)

Pensar a história e ser pensado nela
sendo ela pensada noutra parte
com a nossa a, se possivel, vê-la
no nó especular de onde ela parte.

E, alem do nó, o azul rasga a janela
e nele se move, sem lugar, amar-te
sendo amado de ti, como uma estrela
no pensamento de que não se aparte.

Ou arruina-se a mágoa, a perspectiva
e o próprio azul por onde se mover
é amar-te numa história viva

que ainda nao soubemos escrever.
Porque escrevê-la a ensombra e a deriva
para a seguirmos como ja não é.


Fernando Echavarria (poeta timorense)

3.6.09

De certo modo os destroços palavras



de igual modo as partículas invariáveis traços lábias
sempre há uma mulher no mal
por isso trepo meu olhar pelas paredes e pelo tecto
o último cruzar de pernas
zona prestigiada o eixo compreendia o acento de intensidade
junto todos os sentidos no modo algum tempo exacto
sem esquecer na via erudita expressão
o étimo uma mesa com o portal aberto
outro reino de certeza
a comunicação oficial adoptou o berço língua lençol
tanto tempo sonorizado
estava inscrito nas fronteiras este período
das alíneas funções sintácticas
diferenças dos pares vocabulares
nascem outras partículas variáveis destroços

Abreu Paxe
Angola
Uma menina está a chorar




Mãe, o Natal já está chegar
O menino Jesus vai nascer mais uma vez,
mas Bete ainda vive na casa feita com lona
e a mão do meu irmão ainda suzo com sangue.

Bete é a minha amiga melhor de todos,
ela tem idade como eu, nós entrámos na escola primária juntos,
nós chorámos quando vemos falecimento do pai dela
emquanto o fogo queimar a casa deles até muito queimado.

O pai dela moreu por causa de pessoas lhe matou,
matou-lhe porque este senhor é de Lorosae.
Eles não têm oportunidade refugiar para montanha
como outros delocados fuziram de um lugar para outro lugar.
Bete com sua família é vizinho bom,
como é que vocês começa odi eles de repente?
Nós todos que estamos aqui somos pobres...
vocês todos agora mau coracão, eu acho

Os Jovens de bairro que queimar,
o meu irmão própio também ajuda.
Para isto que vocês lutaram?
Estou farta, quero mudar minha vida..

Vocês não bando não obriga ele fica em casa,
vocês deixa-lhe ser vadio não tem educação,
bater um contra outros, cortar um com outros, como lutas de galos.
Como assim que vocês quererem arguer nação?

Mãe, isto é que futuro para crianças
em novo nação Timor Lorosae?
Se futuro como assim mesmo talvez
então eu quero ser malae.


Afonso Busa Metan (poeta timorense)

2.6.09

Chimâmi



Sempre que eu recorde a casa à beira-mar da infância,
surgem-me teus olhos meios de xipeia ferida,
aguados de humildade,
constantes como um remorso.

Lembras-te, minha amiga da palhota do Guachene?

Nos meus braços egoístas de dona,
uma boneca sorria sempre, com seus olhos verdes de gato.
E nos teus braços sempre vazios, Chimâmi,
só ternura imensa insaciada,
ternura verdadeira de mãe.
Teus olhos meigos de xipeia ferida,
com seu eterno brilho de resignação,
afagavam muito, longamente, quase com desespero,
a minha linda boneca loira.

Lembras-te?

Depois, era Natal
e o meu vestido de seda, aos folhos,
era uma das glórias do dia.

E o fogãozinho lindo que Papá deu
e o anel de ouro que Padrinho trouxe,
e os sapatos brancos que Mamã ofereceu?
E os bolos, o arroz-doce,
e o leitão assado,
e as flores na mesa branca da sala de jantar?
Natal, Chimâmi, hoje é dia de Natal!
Tu foste à missa como eu,
foste à missa Chimâmi?

Chimâmi não foi à missa, não
nem deve saber que hoje é dia de Natal,
porque não vestiu vestido de folhos,
vestiu hoje o mesmo vestido de riscado de todos os dias,
roto e velho, comprado no monhé do bazar.
E veio descalça, sem presente nem nada.
Só com os seus grandes olhos meigos de xipeia ferida,
no rosto luzidio, espetado o pescoço magro e longo.

Ah Chimâmi naquele dia,
tu partilhaste do meu Natal.
E todos os Natais após, continuas a partilhá-los.

Mas agora? Agora?
Quem vai apagar essa lágrima permanente
do teu olhar de xipeia ferida,
constante como um remorso, teu olhar
que dói para além de qualquer comparação?
Ah Chimâmi, minha Chimâmi!


Noémia de Sousa

Das cerejas



Das cerejas
eu lembro que eram doces.
Eram rubis de brinco
nas orelhas
e serviam de troca
boca a boca
no entretém guloso
dos namorados.


Edgar Carneiro

Cântico


Se a montanha hoje tremer,
nada receies,
aproxima o teu ouvido do chão de musgo,
escuta a conversa das pedras,
esse marulhar, que te ensinaram ser sinistro.

A terra é um deus antigo de longas capas,
um pai silencioso na espera ao filho pródigo,
que um dia, bateu a porta e fugiu.

Não há vingança,
nas árvores derrubadas à passagem de Moisés,
nas garras estendidas sobre o mar,
onde os marinheiros, sonharam o Bojador,

serão sempre magnânimos, todos os seus actos...

Se a terra tremer, não te inquietes pois,
abre os olhos ao fulgor que salta do vulcão,
é esse deus velhinho,
que abre os braços e exclama:

Vem meu filho,
preparei-te um novo leito,
chegou a hora de regressares ao lar!


Helena Figueiredo

Sombra




De olheiras roxas, roxas, quase pretas,
De olhos límpidos, doces, languescentes,
Lagos em calma, pálidos, dormentes
Onde se debruçassem violetas...

De mãos esguias, finas hastes quietas,
Que o vento não baloiça em noites quentes...
Nocturno de Chopin... risos dolentes...
Versos tristes em sonhos de Poetas...

Beijo doce de aromas perturbantes...
Rosal bendito que dá rosas... Dantes
Esta era Eu e Eu era a Idolatrada!...

Ah, cinzas mortas! Ah, luz que se apaga!
Vou sendo, em ti, agora, a sombra vaga
D’alguém que dobra a curva duma estrada...


Florbela Espanca

1.6.09

Punhal na alma... pelas costas



Na vida das esquinas
encontrei esquinas
que me apontaram a vida
que, afinal, estava mesmo
ao dobrar da esquina.
Apesar disso chorei
quando senti o punhal
entrar-me pela alma
sem verter uma gota de sangue
porque esse jazia
sonolento num corpo perdido
na madrugada que anoitecia
sem se lembrar da poesia
que nascera décadas antes
nos córregos sinuosos
de uma saudade castigadora
bem mais lancinante
do que o punhal que me feriu
a alma e que, mais uma vez,
foi espetado pelas costas.

Orlando Castro (poeta angolano)

31.5.09

Desmedida papoila ou o destino de se perder



Papoila vermelha
E branca também
Vi-te na Primavera
E sempre com alguém.

Fragilidade é teu tempero
Cercando terra e céus
Dando esperança ou desespero
A quem sempre te bebeu!…

De vermelho cobres searas
Como rainha exuberante
Mas passa o vento e leva
O perfume de ser amante.

Nos campos perdida
Sempre à espera de alguém
Perguntando à desmedida!
Se o amor medida tem?!!!

Alegra quem passa
Se longe estiver
Papoila ama a saudade
De quem "por ela se perder"

Meu amigo viajante
Se bom destino queres ter!
Não desfolhes papoila
Sem primeiro te rever!…


Alice Tomé

29.5.09

Não me lavem o rosto


Não me lavem os olhos!
Não; já disse não!
Deixai-me ver,
sentir, viver tudo em mim
mas não me lavem os olhos!

Deixai-me crer por mim
aceitar a realidade
mas não me barrem a caminhada
não me lavem os olhos!

Deixai-me sofrer realidade
ao sonhar fraternidade
mas... por favor...
não me lavem os olhos!


Sukrato
Cabo Verde

28.5.09

O rio quando antilira


O rio explode. Quando as mãos
dos anjos vêm varrer a névoa.
Ungido primeiro da tristeza,
escurece-lhe a voz
nas locas onde canta o pez.

Escuto-lhe os decibéis da ira
quando por uma tarde navegável
solta seu manancial de gritos:
já não é essa mansidão que ronronam
os líricos, mas um aguilhão
saltando às têmporas.

Mar e margem amparam o fragor
que leva o desalinho às vísceras.
Na máquina do poema
é lenta a combustão que devolve
o tejo ao afago que tantas metáforas
sussurrou aos zelosos funcionários da musa.

Não há, porém, métrica que cinja
a voz de um rio quando suspira nas entranhas
avivando um passado que é cisco na memória.


José Luíz Tavares
Cabo Verde

A cinza de luz é tanta que não posso abandonar-me.


A cinza de luz é tanta que não posso abandonar-me.

Lento sofrimento este
sem tocar dedos de sombra, queimaduras ou luva.
Ou respirar de outro ser, tão fuído, desolado e frio.


Isabel de Sá

27.5.09

Vigilia



Paralelamente sigo dois caminhos
Abstracto na visão de um céu profundo.
Nem um nem outro me serve, nem aquele
Destino que se insinua
Com voz semelhante à minha.
O melhor mundo
Está por descobrir.
Não sequer a lua
Nem o perfil da proa.
Vai direito
Ao vago, incerto, misterioso
Bater das velas sinalado de oculto.

Quero-me mais dentro de mim, mais desumano
Em comunhão suprema, surto e alado
Nas aragens nocturnas que desdobram as vagas,
Chamam dorsos de peixe à tona de água
E precipitam asas na esteira de luz.
Da vida nada senão a melhoria
De um paraíso sonhado e procurado
Com ternura, coragem e espírito sereno.

Doçura luminosa de um olhar. Ameno
Brincar de almas verticais em pleno
Sol de alvorada que descerra as pálpebras.


Ruy Cinatti (poeta timorense)

26.5.09

Chapa


A nauseabunda catinga empoleirada no incómodo do chapa
Vai chapa perseguindo chapa
Ao feitiço da paça acelerada no assobio do cobrador
Motor resmungão no mais apartado desconforto
Enlatado o chapa elástico de todas as paragens
Superlotada receita galgando o vento
Com mãos no coração do destino...


Amin Nordine
Moçambique

na leveza do luar crescente






na
leveza do luar crescente
sobe
a ilusão da felicidadeAdicionar imagem
que
teu gesto distraído
me dá

como se
plumas vogando suaves
na brisa
fossem
vida de pássaro apodrecendo
na
leveza do luar crescente


Arlindo Barbeitos (poeta angolano)


Recordação



O rosto erecto
Dá a impressão de inclinado
Por certa graça esplendente
De nobreza

Rio lindo chama pura
Aparição convergida
Pelos astros espantosos
Deixas-me o corpo o teu corpo
E o desenho da tua alma
Nas minhas mãos escultoras
Deixas-me a voz essa voz
Que guarda vozes no fundo

Dos seus véus de maravilha
Deixas-me véus maravilhas
A confiança na vida
E dois lábios esmagados
Insuportáveis felizes

Alberto Lacerda
Moçambique

Mulher, casa e gato.



Uma pedra na cabeça da mulher; e na cabeça
da casa, uma luz violenta.
Anda um peixe comprido pela cabeça do gato.
A mulher senta-se no tempo e a minha melancolia
pensa-a, enquanto
o gato imagina a elevada casa.
Eternamente a mulher da mão passa a mão
pelo gato abstrato,
e a casa e o homem que eu vou ser
são minuto a minuto mais concretos.

A pedra cai na cabeça do gato e o peixe
gira e pára no sorriso
da mulher da luz. Dentro da casa,
o movimento obscuro destas coisas que não encontram
palavras.
Eu próprio caio na mulher, o gato
adormece na palavra, e a mulher toma
a palavra do gato no regaço.
Eu olho, e a mulher é a palavra.

Palavra abstrata que arrefeceu no gato
e agora aquece na carne
concreta da mulher.
A luz ilumina a pedra que está
na cabeça da casa, e o peixe corre cheio
de originalidade por dentro da palavra.
Se toco a mulher toco o gato, e é apaixonante.
Se toco (e é apaixonante)
a mulher, toco a pedra. Toco o gato e a pedra.
Toco a luz, ou a casa, ou o peixe, ou a palavra.
Toco a palavra apaixonante, se toco a mulher
com seu gato, pedra, peixe, luz e casa.
A mulher da palavra. A Palavra.

Deito-me e amo a mulher. E amo
o amor na mulher. E na palavra, o amor.
Amo com o amor do amor,
não só a palavra, mas
cada coisa que invade cada coisa
que invade a palavra.
E penso que sou total no minuto
em que a mulher eternamente
passa a mão da mulher no gato
dentro da casa.

No mundo tão concreto.


Herberto Helder
Toma lá cinco!


Encolhes os ombros, mas o tempo passa...
Ai, afinal, rapaz, o tempo passa!

Um dente que estava são e agora não,
Um cabelo que ainda ontem preto era,
Dentro do peito um outro, sempre mais velho coração,
E na cara uma ruga que não espera, que não espera...

No andar de cima, uma nova criança
Vai bater no teu crânio os pequeninos pés.
Mas deixa lá, rapaz, tem esperança:
Este ano talvez venhas a ser o que não és...

Talvez sejas de enredos fácil presa,
Eterno marido, amante de um só dia...
Com clorofila ficam os teus dentes que é uma beleza!
Mas não rias, rapaz, que o ano só agora principia...

Talvez lances de amor um foguetão sincero
Para algum coração a milhões de anos-dor
Ou desesperado te resolvas por um mero
Tiro na boca, mas de alcance maior...

Grande asneira, rapaz, grande asneira seria
Errar a vida e não errar a pontaria...

Talvez te deixes por uma vez de fitas,
De versos de mau hálito e mau sestro,
E acalmes nas feias o ardor pelas bonitas
(Como mulheres são mais fiéis, de resto...)

Alexandre O'Neill

25.5.09

A passagem


Que me deixem passar - eis o que peço
diante da porta ou diante do caminho.
E que ninguém me siga na passagem.
Não tenho companheiros de viagem
nem quero que ninguém fique ao meu lado.
Para passar, exijo estar sozinho,
somente de mim mesmo acompanhado.
Mas caso me proíbam de passar
por seu eu diferente ou indesejado
mesmo assim eu passarei.
Inventarei a porta e o caminho
e passarei sozinho.


Lêdo Ivo
Brsail