
Onde nada brilha
No alto da montanha
No sopé da montanha
Onde o grito impera
Sem garganta
Tornando opaco
O ar da montanha
Se o tivesse
A luz
Que já não tem -
Desde quando?
Onde nada brilha
Onde a parede impera
A porta
Sempre fechada
O abrupto
Abutre
Onde a treva se corta
Em talhadas
E sai um pus sem jus
Onde o cão não ladar
Por desprezo
Onde a criança e a teta
Não correm
Uma para a outra
Onde a onda não morre
Sumptuosa
Porque a praia não existe
E a água
Não chegou a nascer
Alberto Lacerda
Moçambique
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