Eis que regresso e vos pergunto:
Virei modificado?
Mais simples? mais humanizado ?
Ou serei para vós como um defunto
Inutilmente ressuscitado?
Perdão, se venho sem loucura!
Deveria, decerto, regressar
A correr, a gritar, a suar, a sangrar...
E com um brilho no olhar
(O brilho de quem acha o que procura).
Não trago o som da vaga que rebenta,
Mas secretos marulhos ciciados,
Sonhos ainda quentes da placenta.
- nem grandes penas minha mente aumenta,
Como fazem, à volta, os exilados.
O meu lar de papel inda está quente?
Quanta vez a poesia diz à gente,
Como a vida aos mendigos: Paciência!...
Mas maior é a dor de quem pressente(*)
Que ninguém deu p’la sua ausência.
Ah, que este simples alibi: Andei,
Por onde tanto sofre o servo como o rei,
Humanamente vos faça
Perdoar-me esta mordaça
Com que parti e voltei!
